Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...


Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!




How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…

Now I have decided to open those drawers, and this is the result!



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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Entrou mesmo em erupção



 E, fez estragos! Tal como a lava, que vai queimando, e transformando em cinza, tudo à sua volta.
Primeiro começaram a sair pedras, gás e cinza. Em seguida, surgiu a lava.
Sabemos que a erupção de um vulcão é imprevisível, e pode causar diversos danos. Esta não foi excepção!
Tinha finalmente chegado o fim-de-semana, íamos voltar a estar juntos e matar saudades. Estávamos ambos a precisar desses momentos.
Mas nem sempre tudo corre como nós desejamos ou como imaginamos.
Este fim-de-semana foi passado entre a organização da papelada para o IRS, compras do mês, roupa e cozinha. É sabido que gosto de ser eu a tratar das coisas lá em casa e, por isso mesmo, não me importo se ele ficar mais algum tempo a dormir, ou se se entreter a ver televisão ou outra coisa qualquer, enquanto eu me despacho.
Naquela tarde, estava eu então a arrumar a cozinha, enquanto a minha filha e ele estavam na sala. Ela queria que ele a visse a pintar, ele queria esticar a perna porque se tinha lesionado na corrida da manhã. Ela implica com ele, ele não está com paciência e vai deitar-se na cama. Ela vai atrás dele e torna a acontecer o mesmo. Às tantas, ela vai para o quarto dela a chorar, porque ele não queria brincar com ela, só queria estar deitado.
E aí deu-se a minha erupção! Disse coisas que não devia, mas naquela altura estava realmente irritada. É que se eu não estivesse na cozinha, eu brincava com ela, mas como não podia, ao menos que estivesse ele ali um bocadinho com ela. Estava cansado e com dores? Também eu!
Também eu estava farta de trabalhar, estava cansada, estava sem paciência.
E ele, que queria tanto aproveitar para estar com ela, dali a pouco ia embora e não brincavam nada.
A verdade é que ele não tem obrigação nenhuma de brincar com ela ou aturá-la porque não é o pai. Mas também é verdade que ele lhe dá mais atenção e brinca mais com ela do que o próprio pai. Daí, talvez, ela lhe exigir mais. Portanto, fui injusta.
Mas saltou-me a tampa porque os dias anteriores não tinham sido fáceis para nenhum de nós, estava farta de trabalhar e não poder descansar como queria, enquanto ele ficou deitado até mais tarde, foi participar numa corrida porque quis, e passou bastante tempo sentadinho no sofá ou entretido a ouvir rádio. E não o critico por isso. Volto a dizer, prefiro assim. Mas pelo menos não me diga que está cansado!
Trabalha de noite? Eu trabalho de dia. Dorme pouco? Eu também durmo. A diferença não é assim tão grande.
É o feitio dele, eu sei. Já o conheço. E provavelmente estava mesmo cansado. Só que ele pode fazer aquilo que eu não posso. Talvez a minha irritação fosse frustração. Também eu queria poder esticar-me só um pouquinho, descansar um bocadinho...
Também eu queria poder não ter responsabilidades nenhumas nem que fosse por breves momentos. Mas não posso, nem quero. Tenho responsabilidades e sei que só quando as cumpro me sinto bem comigo mesma. É um pouco antagónico, mas eu sou assim!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Lágrimas



"Nunca chores por amor, pois a única pessoa que merece as tuas lágrimas, jamais te fará chorar..."
 
Será que temos tendência a amar quem nos faz mal? Será que se pode chamar isso de amor?
Amar é uma coisa boa! Se nos começa a destruir, já não é amor. Todos nós queremos, temos o direito e, principalmente, o dever, de sermos felizes!
Quem ama, e é correspondido, sente-se feliz, sente-se bem, e encara a vida de forma positiva.
Claro que, quem ama, não está imune a sentir-se, em algum momento, triste, desiludido ou magoado. Não somos seres humanos perfeitos e, por isso mesmo, temos atitudes ou pronunciamos palavras que podem ferir aqueles que amamos. É nessa altura que as lágrimas surgem, sem que o consigamos evitar. Se alguém as merece? Não, ninguém merece as nossas lágrimas, quando estas são um sinal de sofrimento. Nem mesmo quem as derrama.
Mas é uma das formas que temos de reagir ao que nos causa dor. Por vezes, inevitável.
Se temos tendência a amar quem nos faz mal? Penso que muitas pessoas têm tendência a repetir os mesmos padrões de tudo o que faz na vida, incluindo na escolha da pessoa amada. Não digo que seja premeditada ou conscientemente, mas quando dá por si, tem por vezes a sensação de “déjà vu”.
O facto de se chorar porque se ama ou quando se ama, não é sinónimo de que essa pessoa só nos faz mal e não merece o nosso amor.
Desentendimentos e discussões sempre houve e haverá entre casais, porque ninguém é perfeito, nem tão pouco existem relações perfeitas.
Mas há limites, como em tudo na vida, e se o “amor” se traduzir em relações possessivas, destrutivas, dolorosas, em que os maus momentos e o sofrimento que causam se sobrepõem ao que podem trazer de bom, se percebermos que nos estamos a transformar em alguém que nunca fomos, em nome de um amor que pode ser tudo menos amor, então é melhor secar as lágrimas e sair o quanto antes dessa espiral, antes que os danos se revelem irreversíveis.