Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...


Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!




How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…

Now I have decided to open those drawers, and this is the result!



Mostrar mensagens com a etiqueta amor. Mostrar todas as mensagens
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terça-feira, 27 de março de 2012

Sintonia

Amanheceu…
Ela acordou. O relógio marcava 11.30. Pela primeira vez em muitos dias, e apesar dos pesadelos, tinham conseguido dormir até mais tarde. Levantou-se. O sol brilhava num magnífico céu azul, que em nada lembrava o dia anterior, cinzento e chuvoso.
Tinha algumas coisas para fazer, para pôr em ordem, mas não muitas, e sabia que ia ter tempo disponível para se dedicar à escrita, para poder ver um filme ou começar a ler o último livro que tinha trazido da biblioteca. Ia ter tempo para si.
Apesar disso, não era um dia muito feliz. Nunca poderia ser, quando duas pessoas que se amam são obrigadas, por circunstâncias da vida, a estarem afastadas…
E ali estava ela, envolvida em pensamentos, em imagens de momentos já vividos, em memórias de brincadeiras e alegrias, recordações de um amor que cada dia era mais forte…
Tentava ocupar-se com as suas tarefas, distrair-se com a natureza que lhe lembrava a cada instante que a primavera tinha chegado, mas os pensamentos voltavam, as imagens retornavam, e o desejo de que tudo fosse diferente não a deixava…



Amanheceu…
Ele olhou para o telemóvel. Tinha uma mensagem dela. Será que já estava acordada? Ligou-lhe…
Falaram dessa vez, e outra, e outra… Também ele queria prolongar aqueles instantes. Já que não podiam estar juntos, pelo menos falavam.
Mas sabia que não era a mesma coisa… Nada poderia substituir a presença dela. E enquanto se tentava conformar com a realidade, não conseguia afastar da sua mente tudo o que de bom já tinham vivido, tudo o que já tinham passado juntos, e como seria bom estarem ao lado um do outro agora.

Ela tinha saudades dele…
Ele sentia a falta dela…
E ambos, apesar da distância que os separava, sem saberem, estavam em sintonia!...
Sintonia de gestos, sintonia de pensamentos, sintonia de sentimentos…como duas almas gémeas…
Como um espelho que reflecte dois cenários diferentes, com duas pessoas diferentes, mas cujas histórias se completam…

quarta-feira, 21 de março de 2012

À Prova

 

A vida coloca-nos, muitas vezes, à prova!
São várias as batalhas, as dificuldades e os obstáculos que se apresentam nos nossos caminhos, e que testam, de forma espontânea ou propositada, as nossas relações connosco e com os outros.
É fácil estarmos satisfeitos com a nossa vida quando ela corre bem, gostarmos de nós quando nos sentimos bem connosco, sentirmo-nos confiantes quando estamos por cima...
É fácil estar ao lado de alguém quando tudo corre bem, oferecermos o nosso apoio quando sabemos que não é preciso, dar a nossa mão quando já existem várias, amar quando tudo é lindo...
E é muito bom quando saboreamos maioritariamente o lado positivo da nossa passagem e vivência!
Mas é nos momentos mais difíceis, nas grandes dificuldades, quando nos tentam derrubar ou começamos a perder as forças, que confirmamos todo o poder e valor do sentimento que até aí nos uniu, que até aí experimentámos.
Nestes momentos, percebemos quem continua lá ao nosso lado, quem não "abandonou o barco" perante a possibilidade de ele afundar...
Nem todos temos as mesmas capacidades ou formas de lidar com as dificuldades, mas sentir apoio e um ombro amigo ajudam muito a atravessar os tempos difíceis!
E se é verdade que eles nos têm surgido constantemente nos últimos meses, também é verdade que estamos juntos, e juntos estamos a vencer e ultrapassar cada um deles!

sábado, 17 de março de 2012

Nos teus braços



Quando o mundo lá fora se torna mais cruel...
Quando a vida insiste em nos pôr à prova...
Quando tudo fica mais difícil...
Quando as coisas à nossa volta se complicam...
Quando estou cansada, desanimada ou triste...
Quando começo a perder as forças...
Quando só me apetece ficar sossegadinha no meu canto...

...é bom saber que TU estás lá comigo...

...para me dares aquele abraço reconfortante e o teu peito aconchegante!
...para me fazer festinhas no cabelo!
...para me acalmar, dar segurança, e proteger!
...para me devolver a alegria, coragem e confiança!
...estás lá, para MIM!

Obrigada por cuidares com tanto amor e carinho desta tua "Pequenina"!

quarta-feira, 7 de março de 2012

A Solidão na Velhice


Quando falamos em solidão, temos que ter em conta que ela não escolhe sexo, classe social, e nem mesmo idade.
Cada vez mais, a solidão deixa de ser algo que afecta exclusivamente os idosos, para se instalar também nas camadas mais jovens.
No entanto, no seguimento das tristes notícias que nos têm chegado, sobre idosos que faleceram sozinhos em casa, é sobre esse tema que me quero debruçar hoje.
De facto, são muitas as pessoas que, ao chegarem à velhice, acabam por se sentir isoladas, desamparadas ou negligenciadas.
Algumas, porque simplesmente não têm família, amigos ou alguém que possa olhar por eles vendo-se, assim, abandonados à sua sorte.
Outras, mesmo tendo familiares ou conhecidos que os poderiam ajudar, rejeitam essa possibilidade, porque consideram que são ainda capazes de se valer a si próprios.
Há ainda aquelas que, ao longo de toda a sua vida, foram afastando quem lhes queria bem, com atitudes, gestos e palavras, acabando entregues à solidão.
Nesses casos, quem fica responsável por essas pessoas? Quando as relações com a família estão cortadas, deverão ser os vizinhos a ter essa preocupação, por uma questão de solidariedade? Existem associações ou entidades que possam prestar assistência a estas pessoas, sem fins meramente lucrativos?
Por outro lado, nem todas as famílias têm disponibilidade para acompanhar o envelhecimento dos seus familiares.
E é aqui que se levantam outras questões: devem estes idosos ser colocados em instituições onde, à partida, terão um melhor acompanhamento a todos os níveis, ou será uma egoísta transferência de deveres da família para uma instituição? O que leva a família a optar por esta solução privando, muitas vezes, o idoso do relacionamento familiar? Será, na verdade, uma solução válida, ou puro abandono de responsabilidades? E até que ponto estarão essas instituições preparadas para fazer face às necessidades dos idosos?
Como em todas as decisões, também nesta deveria imperar o bom senso, e as reais necessidades dos nossos idosos.
Optar por colocar um idoso num lar apenas porque nos dá trabalho e não temos paciência para o aturar, não deixa de ser um acto de egoísmo. Mas se não tivermos realmente disponibilidade para o acompanhar a tempo inteiro, e pudermos deixá-los com que possa fazê-lo, para benefício do próprio, será uma atitude racional. Nem sempre as soluções que podemos escolher serão as melhores, mas são as possíveis.
Penso que, sempre que possível, devem ser os próprios idosos a tomar essa decisão voluntariamente, quando o possam fazer. Há instituições muito boas e onde eles se podem sentir mais acompanhados do que em casa, fazer amizades, participar em diversas actividades e sentir-se em família.
Mas convém não esquecer que existem outras, em que os idosos não passam de um número, de uma mensalidade a mais a receber, em que apenas lhes é proporcionada uma cama, alimentação e pouco mais. E não são raros os casos de maus tratos e falta de condições.
Eu, pessoalmente, vejo a instituição como uma hipótese a considerar só mesmo em último caso, mas espero nunca ter que recorrer a ela porque, enquanto puder, quero os meus pais ao pé de mim.
De qualquer forma, quem optar por essa solução, deve acompanhar, sempre que possível, os seus familiares, manter-se informado sobre a forma como são tratados, e constatar que realmente se sentem bem.
Acima de tudo, é uma questão de amor – de cuidar e zelar pelo bem-estar e qualidade de vida daqueles que, um dia, já o fizeram por nós!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Feliz Dia de São Valentim!



Hoje comemora-se o Dia de São Valentim, também conhecido por Dia dos Namorados!
E todos os anos, no dia 14 de Fevereiro, os casais trocam presentes e mensagens de amor, e planeiam surpresas para agradar a sua "cara-metade".
É muito comum os apaixonados, envolvidos no espírito romântico que simboliza este dia, fazerem as mais belas declarações de amor e até pedidos de casamento!
Claro que também há quem seja pouco dado a comemorações românticas e, para esses, será mais um dia igual a todos os outros.
Na minha opinião, o Dia dos Namorados é um dia tão especial como os outros dias especiais que inventaram para comemorar alguma coisa que, afinal, deveria ser lembrada e celebrada todos os dias.
Temos dias para todos os gostos - Dia da Mãe, Dia do Pai, Dia da Criança, Dia da Mulher e tantos outros, que no fim só servem para valorizar aqueles que se encaixam em algum desses dias, e relembrar os outros que ainda não podem celebrar porque não se enquadram no motivo da celebração.
E depois, há uma tendência a transformar estes dias numa operação de marketing, em que publicitam todo o tipo de bens materiais, cada vez mais sofisticados e financeiramente dispendiosos. Como que se o valor monetário do presente oferecido revelasse a grandeza dos nossos sentimentos e do nosso amor.
Sou uma eterna romântica e, tendo namorado, também gosto de celebrar datas especiais como esta. Desde que a manifestação dos sentimentos, que levaram à celebração, seja constante e esteja igualmente presentes todos os dias, e não apenas neste...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Lágrimas



"Nunca chores por amor, pois a única pessoa que merece as tuas lágrimas, jamais te fará chorar..."
 
Será que temos tendência a amar quem nos faz mal? Será que se pode chamar isso de amor?
Amar é uma coisa boa! Se nos começa a destruir, já não é amor. Todos nós queremos, temos o direito e, principalmente, o dever, de sermos felizes!
Quem ama, e é correspondido, sente-se feliz, sente-se bem, e encara a vida de forma positiva.
Claro que, quem ama, não está imune a sentir-se, em algum momento, triste, desiludido ou magoado. Não somos seres humanos perfeitos e, por isso mesmo, temos atitudes ou pronunciamos palavras que podem ferir aqueles que amamos. É nessa altura que as lágrimas surgem, sem que o consigamos evitar. Se alguém as merece? Não, ninguém merece as nossas lágrimas, quando estas são um sinal de sofrimento. Nem mesmo quem as derrama.
Mas é uma das formas que temos de reagir ao que nos causa dor. Por vezes, inevitável.
Se temos tendência a amar quem nos faz mal? Penso que muitas pessoas têm tendência a repetir os mesmos padrões de tudo o que faz na vida, incluindo na escolha da pessoa amada. Não digo que seja premeditada ou conscientemente, mas quando dá por si, tem por vezes a sensação de “déjà vu”.
O facto de se chorar porque se ama ou quando se ama, não é sinónimo de que essa pessoa só nos faz mal e não merece o nosso amor.
Desentendimentos e discussões sempre houve e haverá entre casais, porque ninguém é perfeito, nem tão pouco existem relações perfeitas.
Mas há limites, como em tudo na vida, e se o “amor” se traduzir em relações possessivas, destrutivas, dolorosas, em que os maus momentos e o sofrimento que causam se sobrepõem ao que podem trazer de bom, se percebermos que nos estamos a transformar em alguém que nunca fomos, em nome de um amor que pode ser tudo menos amor, então é melhor secar as lágrimas e sair o quanto antes dessa espiral, antes que os danos se revelem irreversíveis.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Os sentimentos têm peso e medida?



"Quando se gosta de alguém não há desculpas. Quando se gosta de alguém, não há nada mais importante do que essa outra pessoa. Não há mensagem que não se receba porque possivelmente não vimos, porque se calhar estávamos a passar num sítio sem rede, porque a amiga não nos deu o recado, porque não estavámos em casa. Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, ouvimos sempre o telefone, a campainha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram e não respondemos só no final do dia, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos." 


Como saber se alguém gosta de nós? E como medi-lo?
Será que isso é possível?
Quando se gosta de alguém, não há desculpas, é verdade. Mas também é verdade que não precisamos delas, porque pode e há, por vezes, factos reais que podem, em determinados momentos, limitar ou impedir as nossas acções.
É mais que natural que haja mensagens por abrir, porque no momento em que foram enviadas não as vimos. Podíamos nem estar ao pé do telemóvel, podia estar sem som, podíamos estar ocupados com outras coisas. Podemos até ter ficado mesmo sem bateria (normalmente isso acontece sempre quando mais precisamos). E, além disso, a nossa vida não se resume a um telemóvel.
E quem diz ao telemóvel, diz ao telefone ou à campainha. Porque, simplesmente, não somos obrigados a estar em casa, ou a estar em alerta, sempre à espera que alguma coisa aconteça, que alguém precise de nós, que alguém nos chame. Se o fizéssemos, não estaríamos a levar uma vida normal.
Quando gostamos de alguém, essas pessoas são realmente muito importantes para nós, mas será que não deverá haver nada mais importante que elas?
Tenho uma filha, tenho os meus pais, o meu irmão, os meus sobrinhos, o meu namorado...amo-os a todos, e são as pessoas mais importantes da minha vida. Mas, ainda assim, não posso viver a minha vida, única e exclusivamente, em função deles.
Quando queremos, e podemos, estar juntos, não existem desculpas. Nem precisamos delas!
Durante a semana, só estou com a minha filha de manhã e à noite, ora a prepará-la para ir para a escola, ora a prepará-la para ir para a cama. Será isso uma desculpa? Não, é uma realidade! Mas posso estar com ela com maior qualidade ao fim de semana e, por isso, faço-o.
O meu namorado trabalha de noite, eu de dia. Durante a semana muito difícilmente nos podemos ver. Como moramos longe, fica dispendioso andar de um lado para o outro. Será isso uma desculpa? Não, é a realidade! Mas quando temos um fim de semana e condições financeiras, estamos juntos!
O meu pai precisava de falar comigo, ligou-me, mas eu só vi a chamada perdida mais tarde, quando peguei no telemóvel. Será mais uma desculpa? Claro que não, se tivesse dado por isso, atendia!
Uma amiga pergunta-me se me posso encontrar com ela num determinado dia, mas eu já tinha outra coisa combinada. Será que estou a utilizar esse facto como desculpa? Penso que não, é um facto! Resta-me decidir racionalmente se não haverá problema em desmarcar o que estava programado, em virtude da necessidade da minha amiga.
Ainda assim, penso que, acima de tudo, não podemos atender a todas as solicitações que nos chegam, anulando-nos a nós próprios.
É com enorme prazer, satisfação, amor, carinho e dedicação que, quando realmente gostamos das pessoas, tentamos sempre estar lá para eles quando mais precisam. Mas convém que estejamos cá, também, para nós!
Quanto à forma como demonstramos aquilo que sentimos, cada pessoa tem a sua maneira de o fazer. Muitas vezes não é aquela que gostaríamos, nem tão pouco aquela que nós usamos. Mas será que, quando se gosta, mesmo mostrando-o de diferentes formas, não o estamos a mostrar na mesma?
Perante uma determinada realidade, situação, facto, adversidade ou acontecimento, podem haver diversas reacções.
É como se nos apresentassem uma meta, à qual podemos chegar por diferentes caminhos - uns escolhem o mais longo, outros o mais curto, uns escolhem o mais direito, outros o que tem mais curvas, mas no fim, todos lá chegam!
O amor é assim! A amizade é assim! Qualquer sentimento é assim! Mas, quando é verdadeiro, conseguimos transmiti-lo, e as pessoas sentem-no!
Quem nos conhece bem, sabe a forma própria que temos de demonstrar aquilo que sentimos. Conhece bem o valor dos nossos sentimentos!
E não terá motivos para duvidar deles!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dois Irmãos - Duas Histórias



Quando perderam a mãe, eram apenas duas crianças!
Duas crianças que, daí em diante, foram criadas pelo pai, e pelas tias.
Nessa altura viviam em plena região alentejana, divididos entre Barrancos e Moura.
Levavam uma vida dura, no campo, privados de muitas coisas essenciais...
E assim cresceram até que, um dia, os dois irmãos vieram para Lisboa.
Pode-se dizer que são muito parecidos, em termos de feitios, e quanto mais velhos mais parecidos ficam!
Mas sempre houve uma diferença que os fez, mesmo tão perto um do outro, seguir rumos e estilos de vida tão diferentes - a ambição!
O meu tio é daquelas pessoas que não se contenta com o que tem, se sabe que pode ter mais. E foi nesse sentido que, com a ajuda da minha tia, sempre lutaram, trabalhando sábados, domingos e feriados, sem folgas, quase sem descanso, para poderem atingir o objectivo a que se tinham proposto.
Primeiro por conta de outros e, mais tarde, por conta própria, passavam os dias no café restaurante Primavera, de manhã até madrugada.
Quando as minhas primas já podiam, ajudavam os pais a servir às mesas e ao balcão, e tudo o mais que fosse preciso, já que um dia viriam a usufruir das regalias proporcionadas por todo aquele esforço.
Raramente as vi passear, aproveitar a infância e a adolescência, divertir-se como qualquer rapariga da idade delas.
O meu tio, além do restaurante, que entretanto trespassou, abrindo depois um café (que entretanto também alugou porque já estava na altura de deixar de trabalhar e gozar os rendimentos), construiu a casa onde hoje mora.
Construiu também outras moradias - umas que ainda tem para alugar, outras que vendeu. E comprou terrenos, que deu às filhas para que elas próprias pudessem construir as suas casas.
Hoje, têm uma boa vida. Não lhes contei o dinheiro, mas sei que estão bem e têm o seu futuro assegurado. Embora o meu tio se esteja sempre a queixar (sem motivo), dinheiro é algo que não lhe falta.
Já o meu pai, nunca sonhou muito alto, nunca foi ambicioso!
Mesmo tendo oportunidade para melhorar, continuou satisfeito no seu emprego como carpinteiro, a ganhar o básico. O lema dele sempre foi "para hoje tenho, amanhã logo se vê"!
Passadas algumas dificuldades em que teve, por exemplo, que vender a própria aliança de casamento para ter dinheiro, ou quando ficou sem trabalho, aos 50 anos, e todos lhe batiam com a porta porque já era demasiado velho para trabalhar (e nessa altura foi o meu tio que o ajudou), conseguiu finalmente um trabalho, numa fábrica, onde esteve até se reformar.
Mas, apesar de nunca ter ambicionado uma vida melhor, sempre fez tudo para que não faltasse nada lá em casa.
Tanto eu como o meu irmão, sempre tivemos o essencial.
Acima de tudo, muito amor e muitas aventuras com o meu pai!
Foi ele que me levou a conhecer o Jardim Zoológico e a Feira Popular!
Foi com ele que fui a primeira vez ao circo!
Era com ele que eu ia para o campo fazer piqueniques e apanhar pinhas!
Era com ele que eu ia todos os anos no mês de Agosto para a praia!
Muitos dos poemas e textos que ele escrevia, eram sobre mim, ou para mim!
Hoje, o meu pai não tem carro, vive numa casa alugada, tem uma reforma que lhe proporciona uma vida um pouco melhor do que quando trabalhava. E ainda consegue ajudar os filhos sempre que é necessário, com o pouco que tem.
Para ele basta-lhe. E é feliz assim!
Se poderia ter sido de outra maneira? Até poderia ter sido...mas não seria a mesma coisa!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Medos



Acordo ao som do telemóvel. É segunda-feira e está na hora de acordar.
Tacteando pela cama, lá consigo desligar o despertador. Abro os olhos mas volto a fechá-los.
A cabeça pesa-me, os olhos ardem-me, o coração dói-me. Mal tenho forças para me levantar...e, no entanto, sei que não posso ficar na cama.
Com dificuldade, faço um esforço para me dirigir até à cozinha, por entre tonturas e picadas no estômago.
Não me apetece falar, não me apetece ver ninguém.
Hoje deveria ser um dia feliz! Deveria...mas não está a ser.
Chegou a hora de avançar, de evoluir, de tomar decisões.
Sabia que este dia chegaria mais cedo ou mais tarde. Há já algum tempo que sinto "armas" à minha volta, apontadas à minha cabeça, à espera que eu tome uma atitude.
Há muito que passou a fase de o fazer livremente, e parece que a fase do ultimato também. Agora é o tudo ou nada.
Mas eu tenho medo, muito medo...E pior que lutar contra os outros, é lutar contra nós próprios.
Não preciso que ninguém me fale do assunto, porque eu penso nele constantemente. Não preciso que ninguém me diga que estou a arranjar desculpas, porque eu sei que são. Não preciso que ninguém me diga que está na hora, porque sei que está. Não preciso que ninguém me diga que estou sempre a adiar, porque eu sei perfeitamente que é a verdade.
Mas é, simplesmente, difícil para mim. Tenho este feitio, de me dar por derrotada ainda antes de começar a guerra. De não lutar por nada por medo. De pensar que não vou estar à altura do desafio, que não vou conseguir e vou acabar por estragar tudo.
Não tenho objectivos, não luto por aquilo que quero, sou insegura.
Tento, muitas vezes, pensar de forma positiva, ser optimista, avançar sem medos. Mas parece que, por cada passo que dou para a frente, recuo dois. Avanço novamente, mas o medo faz-me parar. Tento dar o passo, aquele decisivo, mas as pernas tremem, e acabo por dizer para mim própria que talvez amanhã consiga. Ou depois de amanhã...Ou depois de depois de amanhã...Mas as pernas não deixam de tremer...
Porquê? Porque é que não consigo? Porque é que sou assim? Não sei...Só sei que sou...
E ninguém está a conseguir fazer nada para me ajudar, pelo contrário. Só me lembram a cada dia que eu não posso ser assim, só me fazem sentir mais culpada. Mais do que eu já me sinto.
Talvez seja uma forma de ajuda, eu ouvir a verdade a todo o instante. A verdade que a minha própria consciência faz questão de martelar a cada minuto.
Talvez seja uma forma eficaz de me fazer andar, só para não ter que ouvir mais nada nem ninguém. Talvez resulte...
Se fizer aquilo que esperam de mim, já não me sinto culpada por ter desapontado alguém. Por estar a destruir os sonhos de alguém. Por estar a estragar o momento de alguém...
Quando estamos fragilizados, acabamos por fazer tudo só para diminuir a culpa.
Claro que depois, nos sentimos um lixo, ainda destruímos mais a nossa auto-estima...
Hoje deveria ser um dia feliz!
Mas não consigo olhar para o amor da mesma maneira - o amor não me está a deixar feliz, está a atirar-me para o fundo do poço, para a linha da frente, para o precipício...
E não me resta outra coisa a fazer senão deixar-me cair...Já me sinto morta por dentro, talvez com sorte não morra por fora...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Regras do Amor

Para aprender a andar a cavalo, há que ter em conta três regras básicas - não ter medo, fechar os olhos, e aguentar!"



Esta frase fez-me pensar: não será o amor como andar a cavalo?
Se pensarmos bem, as três regras aplicam-se - não podemos ter medo de amar, não conseguimos ver o que esse amor nos reserva no futuro, mas ainda assim, se quisermos vivê-lo, temos que seguir adiante, confiar na pessoa que está ao nosso lado, e com ela ultrapassar todos os obstáculos!
Claro que, para quem vai aprender a andar a cavalo pela primeira vez, acaba por ser mais fácil. É novidade, há todo aquele entusiasmo, aquela vontade de experimentar e ver como nos saímos. Por vezes, nem sequer pomos a hipótese de o cavalo nos atirar para o chão e de nos magoarmos.
Ou, se a consideramos, não é suficientemente forte para nos impedir de experimentar!
O pior é quando alguém já o fez, e deu-se mal. Quando essa pessoa, que queria muito aprender a montar, o fez sem reservas, sem medos, deixou-se levar e, quando abriu os olhos, estava caída.
Como é que essa pessoa reagirá perante uma nova tentativa? Perante um cavalo diferente do anterior?...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Viagem ao mundo da Barbie

 

“Chamo-me Barbara Millicent Roberts, mais conhecida por Barbie, e nasci a 9 de Março de 1959. Filha de Ruth e Elliot Handler, vim ao mundo já adolescente e tenho, até hoje, sobrevivido com sucesso ao passar dos anos, juntamente com o meu namorado Ken, e toda a minha família e amigos, que fiz ao longo de todo este tempo.
Acompanhando sempre a época, tanto no vestuário como no corte de cabelo, sempre vivi no mundo da moda, sendo a primeira a ser maquilhada e a receber acessórios.
A minha influência, nos dias de hoje, é visível e marcante, ao ponto de existirem comparações e apelidarem de Barbie alguém que, como eu, é loira ou se veste de rosa. Digamos que criei um padrão de beleza, valorizando a preocupação com a estética, e não é raro muitas meninas e adolescentes se quererem parecer comigo.
Mas gostava, acima de tudo, que me vissem como uma mulher inteligente, amiga, companheira, meiga e politicamente correcta!”

Na verdade, cada vez que oiço uma pessoa apelidar alguém de Barbie, o primeiro pensamento que me ocorre é o da “típica loira, burra, e fútil”, que só pensa em moda e pouco mais!
Mas, depois de ter visto todos os DVD´s de desenhos animados da Barbie, percebi que ela pode ter uma influência muito mais importante e valiosa sobre as adolescentes e mulheres.
Em cada filme, há uma mensagem – uma moral da história, um pensamento, um ensinamento, que nos mostra que existem valores e sentimentos preciosos que nunca devem deixar de existir dentro de nós.
A importância da verdadeira amizade, do verdadeiro amor, da liberdade, do nosso próprio valor, da confiança, da coragem…
Lembro-me de uma conversa que me marcou neste último filme, e que dizia respeito ao que era necessário para se ser um princesa – “não é uma coroa que faz de ti uma princesa”. A escola pode, através de aulas de etiqueta, de boas maneiras, de dança e outras, estimular a confiança. Mas confiança sem carácter de nada vale. Muitas alunas aqui têm confiança, mas falta-lhes carácter! (e aqui não pude deixar de pensar que provavelmente é o que acontece com os políticos!) Tu tens carácter, mas falta-te confiança, dizia ela à Barbie.
Por isso, por muito disparatado que possam achar uma mulher de 32 anos adorar filmes da Barbie, é a mais pura verdade, e não tenho vergonha de o dizer.
Pode até ter, e tem, muita fantasia. Mas tem também um fundo de realidade e aposto que se virmos bem, existe um pouco de nós em alguma das suas diversas personagens, existe um pouco da nossa vida em alguma das suas histórias!
Algo de bom que delas podemos retirar, e transportar para o nosso mundo!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Paixão e Amor



O que é, para mim, a paixão?
É um estado que se caracteriza, sobretudo, por atracção, inquietação, “cegueira”, “incapacidade” de pensar, euforia desmedida, corações palpitantes e sobressaltados, instintos, loucura, ansiedade…
Quando estamos apaixonados, o nosso pensamento foca-se única e exclusivamente naquela pessoa, muitas vezes descuidando tudo o resto que faz parte da nossa vida.
É maravilhoso, faz parte da vida apaixonarmo-nos, e vivermos esses momentos tão intensos, que nos fazem sentir vivos e desejados.
No entanto, são estados que, tal como um vírus, nos atacam de repente e por diversas vezes, mas que depressa se curam!
Isso não significa que uma paixão não possa evoluir para amor.
Já o amor, é um estado que se caracteriza, na minha opinião, pelo sossego, pelo acalmar dos corações, pela segurança, pela tranquilidade, pelo verdadeiro conhecimento mútuo, apreciando e vivendo de forma mais madura a relação…
Quando existe amor, existe confiança mútua, existe cumplicidade, existe respeito. Compartilhamos a vida, experiências pessoais, e o que de mais íntimo temos dentro de nós, assumindo um compromisso duradouro, respeitando o espaço e a liberdade de cada um.
Quando amamos, tornamo-nos altruístas. Todos os nossos gestos são despidos de qualquer intenção de sermos recompensados, de recebermos algo em troca pelo que fizemos.
Com o amor, percebemos que não existem pessoas perfeitas, mas aprendemos a respeitar e a aceitar a pessoa que está ao nosso lado, com todas as suas qualidades e defeitos.
Aprendemos que ninguém é igual a nós, mas que nos podemos enriquecer com essas diferenças.
O amor, é algo que se vai construindo – se os alicerces forem fortes, mantém-se intacto e resiste às intempéries! Se as bases forem fracas, pode desmoronar-se perante as adversidades da vida.
Amar não significa dedicarmo-nos única e exclusivamente a alguém, não significa dependermos totalmente desse alguém para sermos felizes.
Primeiro, é importante que cada um de nós se ame a si próprio, que já seja feliz, que se sinta bem consigo mesmo, e com tudo aquilo que já conquistou.
A partir daí, estaremos aptos para expandir essa capacidade de amar aos que nos estão mais próximos.
Se é complicado? Talvez seja, ou talvez sejam as pessoas que complicam.
Se exige muito de nós? É verdade, exige! Mas é sempre compensador!
Se o amor nasce e cresce por magia? Talvez seja mágico, mas se não for alimentado, se não for cuidado, se não colocarmos um novo pilar, uma nova peça a cada dia, se deixarmos que o acaso se encarregue de fazer o nosso trabalho, nenhuma magia o poderá salvar!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Obrigada!




Sabem aquela euforia e ansiedade que normalmente temos, a contar os dias que faltam para fazermos anos?
Aquela tradição e ideia que aniversário sem bolo e velas não tem graça?
Pois...
Este ano, nada disso me aconteceu.
E até é uma idade engraçada, que merecia uma comemoração a condizer!
Em vez disso, tive um dia perfeitamente normal, a trabalhar. Um dia que eu queria que passasse depressa. Um dia sem ânimo, sem disposição, com dores e enjoada (porque aquele nosso castigo mensal resolveu presentear-me).
E, pela 1ª vez, sem bolo. Ou, pelo menos, assim pensava.
Houve alguém que me quis surpreender e comprou bolo e espumante, para me cantar os parabéns e brindar!
Só posso agradecer e ficar feliz, pela família que tenho, pelas pessoas que estão ao meu lado, que gostam de mim e me dão força, que me seguram e puxam quando estou a cair...
E, mais uma vez, a ti, meu amor, que contribuiste com um simples gesto, para tornar este dia mais especial!
Obrigada...por ontem, por hoje, e por sempre!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Noite Calma - Quiet Night

           



Está uma noite tão calma - no céu nem uma nuvem, apenas uma infinidade de estrelas e, algures, a lua!
Não há vento e, embora esteja frio, dá vontade de vestir aquele casaco quentinho, e sair à rua para passear, em boa companhia, apreciando toda a luz e cor da cidade!
Imagino que estou, por exemplo, na romântica capital francesa.
De cabelo solto, aconchegada pelo meu casaco branco e botas castanhas sem saltos, até quase aos joelhos, que me fazem parecer uma menina, e sentir-me pequenina (mas são tão confortáveis), caminho de mãos dadas ou abraçada ao meu par!
São horas de jantar, num restaurante simples e acolhedor...
Sempre alegres e sorridentes, saímos então para uma última volta antes do regresso ao hotel.
Talvez contagiada pelo romantismo que caracteriza Paris, ou simplesmente porque estou apaixonada, grito para todos ouvirem, que o amo!
E ele, um pouco sem jeito com a inesperada e pública declaração, tentando calar-me mas, ao mesmo tempo, retribuir o gesto, envolve-me nos seus braços e beija-me, com todo o amor que sente!...
Chegados ao quarto, continuamos a trocar beijos e carícias, cada vez mais envolvidos naquele clima. Aos poucos, vamo-nos despindo um ao outro, até que os nossos corpos, já sem roupa mas quentes, se unem e se tornam um só...
Fazemos amor como só quem ama sabe...e acabamos por adormecer, aninhados um no outro, até de manhã!

It's a so quiet night – there are no clouds in the sky, just an infinity of stars and, somewhere, the moon!
There's no wind, and though it is cold, it makes you want to wear that warm coat, and go out for a walk in good company, enjoying all the light and color in town!
I imagine I am, for example, in the romantic french capital.
Hair loose, snug in my white coat and brown boots without heels, almost to the knees, which make me look like a girl, and feel little (but are so comfortable), path holding hands or hugging my partner!
It's time for dinner at a cozy and simple restaurant...
Always smiling and laughing, then we went out for a last tour before returning to the hotel.
Perhaps contaminated by the romanticism that characterize Paris, or simply because I am in love, I cry so that everybody can hear, that I love him!
And he, a little embarrassed by the unexpected and public love declaration, trying to silence me but at the same time, return the gesture, involves me in his arms and kiss me with all his love! ...
Having reached the room, we continued kissing and fondling, increasingly involved in that climate. Gradually, we let us undressing each other, until our bodies, already with no clothes, but hot, unite and become one ...
We make love as only those who love know ... then we fell asleep, nested within each other, till morning!