Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...


Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!




How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…

Now I have decided to open those drawers, and this is the result!



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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Medos



Acordo ao som do telemóvel. É segunda-feira e está na hora de acordar.
Tacteando pela cama, lá consigo desligar o despertador. Abro os olhos mas volto a fechá-los.
A cabeça pesa-me, os olhos ardem-me, o coração dói-me. Mal tenho forças para me levantar...e, no entanto, sei que não posso ficar na cama.
Com dificuldade, faço um esforço para me dirigir até à cozinha, por entre tonturas e picadas no estômago.
Não me apetece falar, não me apetece ver ninguém.
Hoje deveria ser um dia feliz! Deveria...mas não está a ser.
Chegou a hora de avançar, de evoluir, de tomar decisões.
Sabia que este dia chegaria mais cedo ou mais tarde. Há já algum tempo que sinto "armas" à minha volta, apontadas à minha cabeça, à espera que eu tome uma atitude.
Há muito que passou a fase de o fazer livremente, e parece que a fase do ultimato também. Agora é o tudo ou nada.
Mas eu tenho medo, muito medo...E pior que lutar contra os outros, é lutar contra nós próprios.
Não preciso que ninguém me fale do assunto, porque eu penso nele constantemente. Não preciso que ninguém me diga que estou a arranjar desculpas, porque eu sei que são. Não preciso que ninguém me diga que está na hora, porque sei que está. Não preciso que ninguém me diga que estou sempre a adiar, porque eu sei perfeitamente que é a verdade.
Mas é, simplesmente, difícil para mim. Tenho este feitio, de me dar por derrotada ainda antes de começar a guerra. De não lutar por nada por medo. De pensar que não vou estar à altura do desafio, que não vou conseguir e vou acabar por estragar tudo.
Não tenho objectivos, não luto por aquilo que quero, sou insegura.
Tento, muitas vezes, pensar de forma positiva, ser optimista, avançar sem medos. Mas parece que, por cada passo que dou para a frente, recuo dois. Avanço novamente, mas o medo faz-me parar. Tento dar o passo, aquele decisivo, mas as pernas tremem, e acabo por dizer para mim própria que talvez amanhã consiga. Ou depois de amanhã...Ou depois de depois de amanhã...Mas as pernas não deixam de tremer...
Porquê? Porque é que não consigo? Porque é que sou assim? Não sei...Só sei que sou...
E ninguém está a conseguir fazer nada para me ajudar, pelo contrário. Só me lembram a cada dia que eu não posso ser assim, só me fazem sentir mais culpada. Mais do que eu já me sinto.
Talvez seja uma forma de ajuda, eu ouvir a verdade a todo o instante. A verdade que a minha própria consciência faz questão de martelar a cada minuto.
Talvez seja uma forma eficaz de me fazer andar, só para não ter que ouvir mais nada nem ninguém. Talvez resulte...
Se fizer aquilo que esperam de mim, já não me sinto culpada por ter desapontado alguém. Por estar a destruir os sonhos de alguém. Por estar a estragar o momento de alguém...
Quando estamos fragilizados, acabamos por fazer tudo só para diminuir a culpa.
Claro que depois, nos sentimos um lixo, ainda destruímos mais a nossa auto-estima...
Hoje deveria ser um dia feliz!
Mas não consigo olhar para o amor da mesma maneira - o amor não me está a deixar feliz, está a atirar-me para o fundo do poço, para a linha da frente, para o precipício...
E não me resta outra coisa a fazer senão deixar-me cair...Já me sinto morta por dentro, talvez com sorte não morra por fora...

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Emoções de Adolescentes


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“Sinto que estou a perder as minhas forças. A cada dia que passa estou a deixar-me vencer…vencer pela tristeza, tristeza por não te ter ao pé de mim…pela incerteza, incerteza por não saber definir ao certo que sentimento é este…pela insegurança, por não saber se sou correspondida da mesma maneira…
Sinto-me frustrada, desanimada, apática…nada faz sentido…quero levar a minha vida para um lado, e tudo a empurra para outro…
Neste momento, parei. Não tenho mais vontade de andar, não tenho mais forças para me mover…
Já não consigo disfarçar, preciso de estar ocupada, distraída…sozinha, a única coisa que consigo fazer é chorar…
Sinto que é uma luta perdida…Se é que se pode chamar de luta…
Quero culpar alguma coisa, quero culpar alguém…
Culpo-me a mim porque não sou forte, não sou corajosa, não arrisco, não luto…sou conformista, sou comodista, prefiro o mais fácil, o mais confortável, sou cobarde…
Culpo-te a ti, porque não me vens salvar, porque não me vens tirar deste pesadelo em que eu própria me meti…
Culpo a distância, que nos afasta, que me faz sentir saudades, que não nos permite viver o que tanto desejo….
Tento encontrar algo ou alguém a quem possa responsabilizar, mas simplesmente não existe!
Quanto muito poderei culpar o meu coração, por sentir o que não deveria sentir…
Tudo o que me dás é tudo aquilo a que me posso agarrar…
Todas as tuas palavras, todos os teus gestos, são alguns dos poucos momentos em que consigo sorrir…
Queria tanto acreditar que o sonho se iria tornar real…mas cada vez mais me convenço que não passa disso mesmo…de um sonho.
A realidade é bem diferente, mais dura…
Não há lugar para fantasias, não há lugar para sonhos que, por circunstâncias da vida, nunca vão passar disso.
E essa é a parte mais difícil…perder a esperança…encarar a realidade…
De que me serve ter a capacidade de amar, se não posso amar quem eu quero…se não consigo dar amor a quem me ama…"


Na adolescência, encaramos as primeiras paixões como se de verdadeiros amores se tratassem!
Somos protagonistas das mais belas histórias, com tudo aquilo a que temos direito - amores proíbidos, amores desencontrados, amores distantes, sempre à espera do Happy Ending, mas não sem antes passar pelo típico sofrimento do desenrolar da trama.
Ao fim de tantos anos cheguei a uma simples conclusão - somos mais fortes do que pensamos, e não morremos por amor, ou melhor, pela falta dele!
Não quer dizer que os nossos sentimentos não sejam verdadeiros (porque geralmente até o são), mas temos uma capacidade de ver tudo de forma mais simples, mais prática, e sem aquele romantismo e dramatismo de outrora.
Não significa que não tenhamos saudades daqueles que amamos, quando estão longe de nós, mas não paramos no tempo à espera do regresso.
Não quer dizer que não nos sintamos tristes muitas vezes, que não tenhamos vontade de chorar, que não nos afecte minimamente, mas temos a força necessária para reagir, para para nos recompormos e seguir em frente com a nossa vida.
Afinal, o amor não mata, mas mói!
Mas, se puder ser correspondido e vivido plenamente, pode ser muito compensador. Por muito que sejamos fortes, decididos e independentes, não há nada melhor do que termos alguém na nossa vida com quem partilhar as nossas tristezas e as nossas alegrias, as nossas derrotas e as nossas vitórias, os nossos pesadelos e os nossos sonhos, tudo o que faz de nós aquilo que somos!
É importante viver cada dia, e saber aproveitar o melhor que temos e com quem estamos - a nossa vida está em constante mudança, e a nossa história deve ser feita de pequenos finais ao longo do tempo. Quem sabe se na vida real não será ainda melhor do que o que idealizámos?!