Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...


Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!




How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…

Now I have decided to open those drawers, and this is the result!



Mostrar mensagens com a etiqueta pessoas. Mostrar todas as mensagens
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terça-feira, 27 de março de 2012

Sintonia

Amanheceu…
Ela acordou. O relógio marcava 11.30. Pela primeira vez em muitos dias, e apesar dos pesadelos, tinham conseguido dormir até mais tarde. Levantou-se. O sol brilhava num magnífico céu azul, que em nada lembrava o dia anterior, cinzento e chuvoso.
Tinha algumas coisas para fazer, para pôr em ordem, mas não muitas, e sabia que ia ter tempo disponível para se dedicar à escrita, para poder ver um filme ou começar a ler o último livro que tinha trazido da biblioteca. Ia ter tempo para si.
Apesar disso, não era um dia muito feliz. Nunca poderia ser, quando duas pessoas que se amam são obrigadas, por circunstâncias da vida, a estarem afastadas…
E ali estava ela, envolvida em pensamentos, em imagens de momentos já vividos, em memórias de brincadeiras e alegrias, recordações de um amor que cada dia era mais forte…
Tentava ocupar-se com as suas tarefas, distrair-se com a natureza que lhe lembrava a cada instante que a primavera tinha chegado, mas os pensamentos voltavam, as imagens retornavam, e o desejo de que tudo fosse diferente não a deixava…



Amanheceu…
Ele olhou para o telemóvel. Tinha uma mensagem dela. Será que já estava acordada? Ligou-lhe…
Falaram dessa vez, e outra, e outra… Também ele queria prolongar aqueles instantes. Já que não podiam estar juntos, pelo menos falavam.
Mas sabia que não era a mesma coisa… Nada poderia substituir a presença dela. E enquanto se tentava conformar com a realidade, não conseguia afastar da sua mente tudo o que de bom já tinham vivido, tudo o que já tinham passado juntos, e como seria bom estarem ao lado um do outro agora.

Ela tinha saudades dele…
Ele sentia a falta dela…
E ambos, apesar da distância que os separava, sem saberem, estavam em sintonia!...
Sintonia de gestos, sintonia de pensamentos, sintonia de sentimentos…como duas almas gémeas…
Como um espelho que reflecte dois cenários diferentes, com duas pessoas diferentes, mas cujas histórias se completam…

sábado, 24 de março de 2012

Coisas que me irritam



O facto de, muitas vezes, algumas pessoas me dizerem “se eu estivesse no teu lugar não fazia isso”, “se fosse eu, fazia aquilo” e outras do género e, depois, em situações semelhantes, fazerem exactamente o mesmo que antes me tinham aconselhado a não fazer!

Ver-me quase obrigada a mudar a minha forma de agir em determinadas circunstâncias, porque pessoas, supostamente entendidas no assunto, me explicam que não é a forma correcta, e descobrir depois que, afinal, a balança entre a discordância de alguns desses “peritos” e a concordância de outros deles, está equilibrada!

Pessoas que volta e meia teimam em fazer comparações do género “eu sou melhor que…” ou “eu faço mais que…”, com o intuito de se sagrarem vencedoras nas várias vertentes da "batalha" mas, depois, quando alguém as coloca (negativamente), no mesmo patamar dos supostos "rivais, afirmam ofendidas que não gostam de ser comparadas com ninguém!

sexta-feira, 23 de março de 2012

A Perfect Day



Será que existem dias perfeitos, com momentos perfeitos, vividos por pessoas imperfeitas?...
Era tudo o que eu queria neste momento...a perfect day...
Queria ter motivos para sorrir, alegria para me contagiar, coisas boas para me inspirar...
Sentir-me leve e livre para aproveitar o que há de bom...
Queria-te a ti...
E como preciso de ti...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Meias verdades



Diz-se que "esperto é o homem que acredita em apenas metade daquilo que lhe é dito", e "genial é aquele que sabe em qual das metades acreditar"!
E eu pergunto-me: será que todos nós falamos apenas meias verdades? Não me parece.
É verdade que, muitas vezes, como diz o ditado popular “ quem conta um conto, acrescenta um ponto”.
Uma pequena frase ou texto acabadinho de sair, na sua forma original, depressa se pode deformar, adquirir novos contornos, novas características, e chegar aos próximos ouvintes completamente diferente.
Não são raras as vezes que os intermediários da mensagem a adulteram, a modificam, inventam e acrescentam umas mentiras que a tornam mais apelativa ou interessante. Como tal, é verdade que não devemos acreditar em tudo aquilo que nos dizem.
Mas desconfiar sempre que, de tudo o que nos foi dito, apenas uma parte será verdadeira, é o mesmo que considerar que, neste mundo, não existem pessoas totalmente honestas e verdadeiras, e que todas têm a sua quota-parte de falsidade.
Estamos a julgar o todo pela parte, e não me parece uma visão muito justa.
Eu acrescentaria que “sábio é o homem que, num primeiro momento, acredita naquilo que lhe é dito, mesmo que depois a sua esperteza o faça desconfiar que apenas metade é verdade, e a sua genialidade lhe mostre qual das metades escolher para acreditar”!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Destino

Não é da sorte que o homem vive, mas das realidades que consegue criar…”


Há quem afirme que nascemos com o nosso destino traçado.
Há quem diga que, quanto mais tentamos fugir dele, mais nos aproximamos.
Há quem acredite que não é o destino que comanda as nossas acções, mas sim nós, que ditamos e fazemos o nosso destino!
E há quem pense que até podemos ter um destino traçado, mas que pode ser influenciado e até mudar a qualquer momento, conforme as atitudes e acções que tomarmos ao longo da vida, ou seja, um destino flexível, em que há interacção entre o desconhecido e o ser humano.
O destino pode ser utilizado como desculpa ou justificação para muitas coisas, mas não nos devemos resignar e aceitar este ou aquele acontecimento apenas porque “é o nosso destino”!
Não nos devemos acomodar a uma determinada situação, e permanecer inertes, utilizando tão vago argumento.
Podemos ter a sorte de algumas coisas ou pessoas surgirem na nossa vida, de forma inesperada. Mas cabe, a todos nós, agir e lutar para que possamos conquistar todas as outras.
Eu acredito que até podemos ter a nossa história manuscrita em folhas de rascunho, mas também podemos alterar os acontecimentos, os factos, as personagens, reescrever, e fazer a nossa própria história!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Pensamentos



Uma vez disseram-me que, por vezes, é bom haver algo ou alguém que entre na nossa vida para a destabilizar, para lhe dar um abanão e, quem sabe, até a virar do avesso!
Sobretudo quando temos hábitos, posturas, crenças e rotinas tão instaladas e vincadas. Quando criámos uma determinada metodologia, ordem e sequência, que orienta os nossos actos, e a maneira de estar e encarar a vida e as pessoas à nossa volta.
Principalmente, quando só conseguimos observar o mundo segundo a nossa perspectiva, e permanecemos resistentes à mudança. Resistentes a baixar o escudo e deixar alguém entrar no nosso casulo. Resistentes a viver tantas coisas que, assim, acabamos por perder, não experimentar, e não desfrutar.
De qualquer forma, além da apreensão que sinto quanto à veracidade deste pensamento e à sua real eficácia, estou pouco receptiva a rotações superiores a 90º graus!

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Passageiros

Desde pequena que me habituei a andar de autocarro e, por incrível que pareça, é uma das coisas que gosto de fazer.
Não naqueles autocarros a abarrotar de pessoas, que mais parecem sardinhas em lata, e que quase não nos deixam espaço para respirar. Isso seria um autêntico pesadelo!
Refiro-me aos autocarros que me costumam levar até à praia, ou até Lisboa. São viagens que se fazem normalmente, de forma tranquila. Sentados no nosso lugar, podemos ir apreciando a paisagem pela janela, aproveitar para dormir, conversar ao telemóvel ou ir, simplesmente, observando os passageiros que vão entrando e saindo.
Durante cerca de um ano, quase todos os fins de semana eu apanhava o autocarro para Lisboa, e em todos esses dias havia passageiros que, tal como eu, tinham essa rotina!
Entre eles, recordo-me de um casal que entrava na Malveira. Primeiro, entrava ele, e sentava-se. Ela entrava depois, pagava os bilhetes, e sentava-se ao seu lado, e pelo que me parecia, encostava a cabeça ao seu ombro, e assim permanecia durante toda a viagem. Eram duas pessoas fisicamente muito diferentes: ele - alto e magro, sempre com uma cara séria e pouco dado a manifestações de carinho, ela - baixa e um pouco mais avantajada, sempre transparecendo a imagem de uma mulher muito carinhosa e com muito amor para dar. Embora as aparências enganem, ela parecia-me mais velha que ele. E fiquei sempre com a sensação que aquele era um casal que não combinava muito bem.
Mas era apenas uma opinião de observadora. Afinal, há tantos casais improváveis que combinam na perfeição, e outros que parecem feitos um para o outro e acabam por não vingar.
Tal como eu e o meu namorado, também eles apanhavam o metro. E ao final da tarde, de volta ao terminal do Campo Grande, lá estavam eles, tal como eu, a apanhar o autocarro de regresso.
Um ano se passou até que, no último sábado, voltei a apanhar o autocarro para casa, e verifico que também esse casal, ao fim de tanto tempo, ainda mantinha esse hábito. Na verdade, só reparei nisso quando já estava sentada no meu lugar e olhei para os assentos da frente e, de facto, só o vi a ele. Mas, como ela é pequena, imaginei que estivesse, como era costume, aninhada no seu companheiro. E pensei: mesmo passado tanto tempo, ainda há coisas que se mantêm!
Qual não é a minha surpresa quando o vejo sair do autocarro sozinho. Não pude evitar o pensamento seguinte: onde estaria a sua companheira de viagem?
Parece que, afinal, nem tudo se mantém com o passar dos anos...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ao acordar...



 ...gostaria de abrir a minha janela e ver...

O Lado Bom da vida!
Ver tudo o que tenho, o que já conquistei, o que poderei ainda vir a concretizar...
Os sonhos que já realizei e aqueles que ainda poderei realizar...
O sol que me enche de energia, o mar que me transmite paz, campos de flores que me dão alegria...
Ver no meu horizonte a razão de todos os dias me levantar, e viver da melhor forma que conseguir, aproveitando o que a vida tem de melhor nesta breve passagem que aqui faço!
E, quando me voltar, perceber que esse lado Bom, também está dentro de mim, nas pessoas que tenho ao meu lado, nos mais puros sentimentos, nos mais simples gestos, nos mais inesperados momentos...e que nem sempre preciso abrir a minha janela para o descobrir!