Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...


Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!




How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…

Now I have decided to open those drawers, and this is the result!



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domingo, 1 de abril de 2012

Toy Storie - Brinquedos até ao infinito...e mais além!



Ontem foi dia de tripla sessão de Toy Storie!
Acabadinhos de chegar a casa (para fazer companhia ao primeiro), o 2 e o 3, como prenda pelas boas notas do 2º período da minha filha!
Gosto de colecções, e esta era obrigatória. São histórias de brinquedos que se poderiam muito bem transpor para a realidade, e para as pessoas.
Na verdade, com a chegada de novas pessoas às vidas de cada um, quem já faz parte dessa vida pode-se sentir ameaçado pelas novas presenças. Pode ter medo de perder o seu lugar.
Mas aqui, na história, mostrou-se que dois brinquedos fantásticos podem coabitar e coexistir, sem que nenhum seja colocado de parte. Mostra-se o verdadeiro valor da amizade, do espírito de entreajuda e equipa, de sentimentos e recordações que todos os brinquedos nos trazem, da sua importância ao longo da nossa vida. E consegue-se fazer um contraste entre as diferentes formas como os brinquedos são tratados.
Embora cada um dos filmes tenha a sua importância, para mim o mais marcante foi, sem dúvida, o terceiro! É o que mais mexe com as emoções, o que nos faz recordar a evolução do tempo, a nossa evolução, e como os brinquedos nos foram acompanhando. E quando já não somos mais crianças, que destino os espera? Eu ainda guardo bonecas, peluches e brinquedos de quando era pequena. Tive pena que o meu pai tivesse doado outros que eu adorava. E a minha filha, contagiada pelo espírito do filme, decidiu recordar os velhos tempos e ir buscar estas duas bonecas - a Inês e a Marta - para brincar!
A mensagem passou!

terça-feira, 27 de março de 2012

Sintonia

Amanheceu…
Ela acordou. O relógio marcava 11.30. Pela primeira vez em muitos dias, e apesar dos pesadelos, tinham conseguido dormir até mais tarde. Levantou-se. O sol brilhava num magnífico céu azul, que em nada lembrava o dia anterior, cinzento e chuvoso.
Tinha algumas coisas para fazer, para pôr em ordem, mas não muitas, e sabia que ia ter tempo disponível para se dedicar à escrita, para poder ver um filme ou começar a ler o último livro que tinha trazido da biblioteca. Ia ter tempo para si.
Apesar disso, não era um dia muito feliz. Nunca poderia ser, quando duas pessoas que se amam são obrigadas, por circunstâncias da vida, a estarem afastadas…
E ali estava ela, envolvida em pensamentos, em imagens de momentos já vividos, em memórias de brincadeiras e alegrias, recordações de um amor que cada dia era mais forte…
Tentava ocupar-se com as suas tarefas, distrair-se com a natureza que lhe lembrava a cada instante que a primavera tinha chegado, mas os pensamentos voltavam, as imagens retornavam, e o desejo de que tudo fosse diferente não a deixava…



Amanheceu…
Ele olhou para o telemóvel. Tinha uma mensagem dela. Será que já estava acordada? Ligou-lhe…
Falaram dessa vez, e outra, e outra… Também ele queria prolongar aqueles instantes. Já que não podiam estar juntos, pelo menos falavam.
Mas sabia que não era a mesma coisa… Nada poderia substituir a presença dela. E enquanto se tentava conformar com a realidade, não conseguia afastar da sua mente tudo o que de bom já tinham vivido, tudo o que já tinham passado juntos, e como seria bom estarem ao lado um do outro agora.

Ela tinha saudades dele…
Ele sentia a falta dela…
E ambos, apesar da distância que os separava, sem saberem, estavam em sintonia!...
Sintonia de gestos, sintonia de pensamentos, sintonia de sentimentos…como duas almas gémeas…
Como um espelho que reflecte dois cenários diferentes, com duas pessoas diferentes, mas cujas histórias se completam…

domingo, 29 de janeiro de 2012

Recordações


“Está na hora de te desfazeres de todas as minhas coisas. Não precisarás de nenhuma delas para te lembrares de mim…Eu estarei sempre contigo, na tua memória, no teu pensamento, e no teu coração! É aí que me guardarás e recordarás…”

Quando li isto, pensei: se eu estivesse no lugar dela, não sei se iria conseguir cumprir esta missão.
É certo que não precisamos de recordações (materiais) para nos lembrarmos daqueles que amamos, nem para os mantermos presentes no nosso pensamento e no nosso coração.
Mas também é verdade que, até mesmo as recordações materiais, podem ter um valor sentimental.
E eu sou daquelas pessoas que gosto de guardar tudo: a rolha de uma garrafa de espumante, aberta naquela ocasião especial, o postal do dia dos namorados, objectos preferidos, aquela velha peça de roupa…
Podem ser apenas meros objectos, mas cada um deles tem a sua história, e cada um deles faz-nos relembrar sentimentos e emoções que fizeram, em algum momento, parte da nossa vida e da nossa própria história!
À medida que os vamos de novo descobrindo, um a um, voltamos a reviver cada uma dessas experiências, regressando a um passado que desejávamos não ver apagado.
Pegar em todas essas lindas lembranças, e colocá-las em caixotes, sabendo que nunca mais voltaremos a vê-las (porque a pessoa a quem pertenciam não está mais entre nós para usufruir delas, e nos incumbiu dessa penosa tarefa), não seria, pelo menos para mim, nada fácil!
Embora compreenda que acaba por ser benéfico dar esse passo, para podermos seguir com a nossa vida, é um facto que, quando amamos, custa sempre desfazermo-nos de algo que pertencia a pessoas para nós tão especiais e importantes, não pelo seu valor material, mas pelo valor emocional!