Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...
Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!
How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…
Now I have decided to open those drawers, and this is the result!
Quando o mundo lá fora se torna mais cruel...
Quando a vida insiste em nos pôr à prova...
Quando tudo fica mais difícil...
Quando as coisas à nossa volta se complicam...
Quando estou cansada, desanimada ou triste...
Quando começo a perder as forças...
Quando só me apetece ficar sossegadinha no meu canto...
...é bom saber que TU estás lá comigo...
...para me dares aquele abraço reconfortante e o teu peito aconchegante!
...para me fazer festinhas no cabelo!
...para me acalmar, dar segurança, e proteger!
...para me devolver a alegria, coragem e confiança!
...estás lá, para MIM!
Obrigada por cuidares com tanto amor e carinho desta tua "Pequenina"!
Uma vez disseram-me que, por vezes, é bom haver algo ou alguém que entre na nossa vida para a destabilizar, para lhe dar um abanão e, quem sabe, até a virar do avesso!
Sobretudo quando temos hábitos, posturas, crenças e rotinas tão instaladas e vincadas. Quando criámos uma determinada metodologia, ordem e sequência, que orienta os nossos actos, e a maneira de estar e encarar a vida e as pessoas à nossa volta.
Principalmente, quando só conseguimos observar o mundo segundo a nossa perspectiva, e permanecemos resistentes à mudança. Resistentes a baixar o escudo e deixar alguém entrar no nosso casulo. Resistentes a viver tantas coisas que, assim, acabamos por perder, não experimentar, e não desfrutar.
De qualquer forma, além da apreensão que sinto quanto à veracidade deste pensamento e à sua real eficácia, estou pouco receptiva a rotações superiores a 90º graus!
Parar, puxar-te para mim, enquanto tu me seguras daquela forma que só tu sabes, e beijar-te!
Beijarmo-nos e perdermo-nos, no tempo e no espaço, como se, naquele instante, tivéssemos sido transportados para outra dimensão!
Beijarmo-nos, como duas pessoas que se amam!
Aquela praia, ainda movimentada, começa a parecer inapropriada para consumar esse amor.
Por isso, mesmo cheios de desejo, paramos!
Ainda com a sensação de que acabámos de acordar, de regressar à terra quando já vislumbrávamos o universo, de voltar à realidade...
Mas, no fundo, felizes!
Estamos juntos, e temos todo o tempo do mundo!
I felt like walking along the beach with you...
Then, we stop, I pull you to me, while you hold me that way only you know, and I kiss you!
We kiss and we lose ourselves in time and space as if, at that moment, we had been transported to another dimension!
We kiss, as two people who love each other!
That beach, still busy, begins to seem inappropriate to consummate that love.
So, even full of desire, we stop!
Still with the feeling that we just wake up, that we just return to earth when we were glimpsing the universe, that we have just come back to reality...
But, anyway, we are happy!
We're together, and we have all the time in the world!
E como qualquer mãe galinha, tenho um desejo enorme de a proteger de tudo e de todos os que a possam magoar, seja de que maneira for.
Claro que só quero o melhor para ela, mas nem sempre protegê-la do mundo, criando uma redoma à sua volta, é a melhor forma de o demonstrar.
Há que deixá-la viver, experimentar, enfrentar as dificuldades e prepará-la para que, sozinha, sem estar na sombra de outros, consiga sobreviver nesta selva em que vivemos – desenvolvendo a sua autonomia, as suas capacidades, o seu poder de luta, aprendendo a se defender, se necessário for, e a resolver os seus problemas.
Com algumas reservas minhas, mas ao mesmo tempo ciente de que seria benéfico para ela, começou a frequentar o Jardim de Infância com 4 anos e hoje, com 7, está no 2º ano, numa escola pública onde, juntamente com ela, se encontram mais de 600 crianças.
Tal como neste vídeo, todos os dias ela se levanta, veste aquela roupa que tão carinhosamente escolhi para ela, toma o pequeno-almoço e vai para a escola.
Pelo que me apercebo, não tem muitas amigas, embora para ela todas as colegas sejam amigas. Até mesmo aquelas que a rebaixam, ou só a querem por perto por interesse.
Mas não me preocupa o facto de ter poucas amigas. Eu também não tive muitas. Na verdade, apenas duas, que me acompanharam durante os vários anos em que estudei.
Preocupa-me sim, que ela venha a ter inimigas! Não por algo que ela tenha feito de mal, até porque para quem pratica o “bullying”, não existe uma motivação aparente e, muitas vezes, quando a há, nem sempre está directamente relacionada com a vítima.
Outras, como foi o meu caso, surgiram na sequência de uma resposta que, provavelmente, aquelas pessoas não esperavam ouvir.
Ia para o 10º ano, tal como uma das minhas amigas que era da mesma turma que eu – éramos “caloiras” e não conhecíamos ninguém naquela escola.
Ao contrário daquelas três raparigas, que frequentavam o 11º ano e já conheciam meio mundo.
Sempre muito tímidas e não gostando de confusões, guerras ou discussões, tivemos um ano bastante complicado, em que a violência psicológica foi presença constante.
Cada vez que as avistávamos, ainda que bem longe, já os nervos davam sinal, e só queríamos que aquele instante que se aproximava passasse depressa.
Desde insultos, a comentários depreciativos, e até mesmo uma vez em que entraram na nossa sala de aula para nos danificarem o material escolar, os sentimentos que mais habitavam dentro de nós eram pavor, medo, ansiedade…
Dia após dia, éramos “empurradas” para aquele ambiente hostil, que muitas vezes nos levava ao desespero, e a pensar em desistir de estudar, só para o pesadelo acabar.
Felizmente, esta violência caracterizada pela prática de actos intencionais e repetidos, neste caso em grupo, foi apenas psicológica. Nunca houve agressões físicas.
Mas não são poucos os casos em que somos vítimas de vários tipos de práticas, não só físicas (agredir, bater), mas também verbais (gozar, insultar, apelidar), materiais (roubar, destruir pertences ou danificando objectos pessoais), psicológicas (intimidar, ameaçar, perseguir, aterrorizar), e até mesmo, mais recentemente, virtuais!
Praticados em grupo, ou por uma só pessoa, estas situações ocorrem com maior frequência nas escolas, sempre fora da visão dos adultos, e normalmente as vítimas não reagem, nem tão pouco falam sobre as agressões de que foram vítimas.
Os agressores têm, geralmente, personalidades autoritárias, uma absurda necessidade de controlar ou dominar e são, algumas vezes simultaneamente, agressores e vítimas.
Contudo, não é um problema exclusivo das escolas, podendo acontecer em qualquer meio, como no local de trabalho ou entre vizinhos.
E as consequências não se fazem esperar – dor, angústia, irritação, ansiedade, stress, nervosismo e tristeza anormais, podendo, nos casos mais graves, levar à depressão, problemas psíquicos e até mesmo ao suicídio.
É importante não ignorar, não nos convencermos que tudo isto faz parte da vida e que há-de passar, mais cedo ou mais tarde.
Mais grave ainda que ser uma vítima de “bullying”, é vermo-nos sozinhos, é não sabermos a quem recorrer, a quem pedir ajuda, com quem conversar. É vermos as pessoas esconderem a cabeça na areia como avestruzes, ou virarem costas, como se de um perfeito disparate, inventado por alguém que apenas pretende chamar a atenção, se tratasse.
Lembro-me de não querer continuar a estudar, de pensar em desistir. A minha amiga fez apenas o 10º ano e ficou por aí. Já eu, fui “obrigada” pelos meus pais a continuar – passei para o 11º ano, o que significava ter que enfrentar durante um ano inteiro, e completamente sozinha, aquele inferno.
Muito embora o meu pai sempre me tenha dito que a melhor forma de lidar com esse tipo de pessoas é ignorando, não mostrando medo, nessa altura eram as últimas coisas que eu conseguia fazer.
Mas ter o 11º ano ou ter o 9º, ia dar no mesmo. E os meus pais queriam o melhor para mim, queriam que eu estudasse, para no futuro ter melhores oportunidades. Para isso era necessário ter, pelo menos, o 12º ano! Como hoje lhes agradeço essa imposição!
Felizmente, aquele ano passou-se, tal como passou o seguinte (muito melhor porque nessa altura já as ditas raparigas tinham deixado a escola secundária).
Hoje, olhando para trás, quando as vejo casadas e com filhos, penso se de facto teriam consciência daquilo que tanto gostavam de fazer, ou se seria uma rebeldia da adolescência.
Hoje, não procuro detectar uma situação semelhante em cada esquina, mas tento ficar atenta, para que a minha filha não venha a passar pelo mesmo que eu.
Para que, se um dia isso acontecer, eu possa compreendê-la, ajudá-la, e dar-lhe todo o meu apoio, na luta contra esta dura realidade!
Num mundo em que parece só haver lugar para pessoas “perfeitas”, torna-se complicado não pertencer a esse grupo, e sair fora de um padrão que, sabe-se lá como, ou quem o criou…Em pleno século XXI, é revoltante perceber que ainda há muitos preconceitos, que ainda há tanta discriminação…é difícil imaginar e ser confrontada com a realidade, com o que essas pessoas sofrem…Principalmente quando estamos perante crianças. E há quem consiga ser muito cruel…
Desde um simples desconhecido com quem nos cruzamos na rua, aos colegas de escola, e por vezes até a própria família, são vários os casos de discriminação social com que nos deparamos ao longo da nossa vida.
Talvez até cada um de nós já a tenha sofrido a pele, em algum momento da nossa vida.
Nos meus tempos de miúda, lembro-me que aquelas crianças que tinham a sorte dos pais terem mais condições económicas, gozavam com os que infelizmente não os tinham. Quem não usasse roupa de determinada marca, era inferior. Os alunos que se aplicavam e estudavam para ter boas notas, eram discriminados pelos colegas.
Quem tivesse borbulhas, ou algum problema de saúde ou alguma deficiência, ficava de fora do grupo dos “perfeitos”.
Quando chegou o momento da minha filha ir para a escola, a primeira coisa que pensei foi “espero que os colegas dela não a discriminem pelo facto de usar óculos”. Não que para ela seja um problema; aliás qualquer diferença só o passa a ser, quando alguém nos faz sentir que somos diferentes, porque antes disso somos pessoas como outras quaisquer.
Para mim, e principalmente, para a minha filha, ela só se sente diferente quando alguém a faz lembrar que tem um problema de visão, quando alguém comenta isto ou aquilo. Mas felizmente, teve sorte, e na escola não há esse problema.
Já o mesmo não se pode dizer, por exemplo, daquela menina anã, que tem dificuldades em fazer amizades porque os colegas de escola não se aproximam dela.
Ela não se sente apoiada pelos colegas, pelo contrário, sente que o facto de ser mais pequena os afasta. Mas não se pense que ela se deixa desmotivar por isso, porque continua a lutar e a ser uma aluna, quem sabe até, melhor que muitos colegas seus.
Infelizmente, por tudo e por nada se discrimina – ora porque se é gordo, ora porque se é magro, porque é alto ou porque é baixo, porque tem isto ou aquilo, porque não tem isto ou aquilo, porque se é rico ou porque se é pobre, porque se gosta disto, porque não se gosta daquilo…
E mais grave se torna quando os autores dessa discriminação não são apenas adultos, mas começam também a ser crianças que, sabe-se lá porquê, acham-se cada vez mais donas da verdade.
Mas quem somos nós para pensar em tal coisa, para pensar que somos perfeitos, e que o facto de os outros não serem iguais a nós, os torna inferiores, os torna menos importantes, os transforma em pobres coitados?
Quem somos nós para os impedir de terem as mesmas oportunidades, de se sentirem iguais apesar das diferenças? Quando deveríamos ser os primeiros a fazer precisamente o contrário.
Já basta o sofrimento que essas pessoas passam, que essas crianças experimentam logo em pequenas. Nós podemos ajudá-las, não discriminando, não as fazendo sentir menos capazes. Isso não significa fazer exactamente o oposto, andar sempre de volta delas, tratando-as como vítimas, como doentes, como alienígenas…
Significa apenas ter o mesmo tipo de comportamento e atitude com todos os que nos rodeiam.