Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...


Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!




How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…

Now I have decided to open those drawers, and this is the result!



Mostrar mensagens com a etiqueta motivação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta motivação. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Bullying - Uma Dura Realidade


Tenho uma filha! A menina que sempre desejei!
E como qualquer mãe galinha, tenho um desejo enorme de a proteger de tudo e de todos os que a possam magoar, seja de que maneira for.
Claro que só quero o melhor para ela, mas nem sempre protegê-la do mundo, criando uma redoma à sua volta, é a melhor forma de o demonstrar.
Há que deixá-la viver, experimentar, enfrentar as dificuldades e prepará-la para que, sozinha, sem estar na sombra de outros, consiga sobreviver nesta selva em que vivemos – desenvolvendo a sua autonomia, as suas capacidades, o seu poder de luta, aprendendo a se defender, se necessário for, e a resolver os seus problemas.
Com algumas reservas minhas, mas ao mesmo tempo ciente de que seria benéfico para ela, começou a frequentar o Jardim de Infância com 4 anos e hoje, com 7, está no 2º ano, numa escola pública onde, juntamente com ela, se encontram mais de 600 crianças.
Tal como neste vídeo, todos os dias ela se levanta, veste aquela roupa que tão carinhosamente escolhi para ela, toma o pequeno-almoço e vai para a escola.
Pelo que me apercebo, não tem muitas amigas, embora para ela todas as colegas sejam amigas. Até mesmo aquelas que a rebaixam, ou só a querem por perto por interesse.
Mas não me preocupa o facto de ter poucas amigas. Eu também não tive muitas. Na verdade, apenas duas, que me acompanharam durante os vários anos em que estudei.
Preocupa-me sim, que ela venha a ter inimigas! Não por algo que ela tenha feito de mal, até porque para quem pratica o “bullying”, não existe uma motivação aparente e, muitas vezes, quando a há, nem sempre está directamente relacionada com a vítima.
Outras, como foi o meu caso, surgiram na sequência de uma resposta que, provavelmente, aquelas pessoas não esperavam ouvir.
Ia para o 10º ano, tal como uma das minhas amigas que era da mesma turma que eu – éramos “caloiras” e não conhecíamos ninguém naquela escola.
Ao contrário daquelas três raparigas, que frequentavam o 11º ano e já conheciam meio mundo.
Sempre muito tímidas e não gostando de confusões, guerras ou discussões, tivemos um ano bastante complicado, em que a violência psicológica foi presença constante.
Cada vez que as avistávamos, ainda que bem longe, já os nervos davam sinal, e só queríamos que aquele instante que se aproximava passasse depressa.
Desde insultos, a comentários depreciativos, e até mesmo uma vez em que entraram na nossa sala de aula para nos danificarem o material escolar, os sentimentos que mais habitavam dentro de nós eram pavor, medo, ansiedade…
Dia após dia, éramos “empurradas” para aquele ambiente hostil, que muitas vezes nos levava ao desespero, e a pensar em desistir de estudar, só para o pesadelo acabar.
Felizmente, esta violência caracterizada pela prática de actos intencionais e repetidos, neste caso em grupo, foi apenas psicológica. Nunca houve agressões físicas.   
Mas não são poucos os casos em que somos vítimas de vários tipos de práticas, não só físicas (agredir, bater), mas também verbais (gozar, insultar, apelidar), materiais (roubar, destruir pertences ou danificando objectos pessoais), psicológicas (intimidar, ameaçar, perseguir, aterrorizar), e até mesmo, mais recentemente, virtuais!
Praticados em grupo, ou por uma só pessoa, estas situações ocorrem com maior frequência nas escolas, sempre fora da visão dos adultos, e normalmente as vítimas não reagem, nem tão pouco falam sobre as agressões de que foram vítimas.
Os agressores têm, geralmente, personalidades autoritárias, uma absurda necessidade de controlar ou dominar e são, algumas vezes simultaneamente, agressores e vítimas.
Contudo, não é um problema exclusivo das escolas, podendo acontecer em qualquer meio, como no local de trabalho ou entre vizinhos.
E as consequências não se fazem esperar – dor, angústia, irritação, ansiedade, stress, nervosismo e tristeza anormais, podendo, nos casos mais graves, levar à depressão, problemas psíquicos e até mesmo ao suicídio.
É importante não ignorar, não nos convencermos que tudo isto faz parte da vida e que há-de passar, mais cedo ou mais tarde.
Mais grave ainda que ser uma vítima de “bullying”, é vermo-nos sozinhos, é não sabermos a quem recorrer, a quem pedir ajuda, com quem conversar. É vermos as pessoas esconderem a cabeça na areia como avestruzes, ou virarem costas, como se de um perfeito disparate, inventado por alguém que apenas pretende chamar a atenção, se tratasse.
Lembro-me de não querer continuar a estudar, de pensar em desistir. A minha amiga fez apenas o 10º ano e ficou por aí. Já eu, fui “obrigada” pelos meus pais a continuar – passei para o 11º ano, o que significava ter que enfrentar durante um ano inteiro, e completamente sozinha, aquele inferno.
Muito embora o meu pai sempre me tenha dito que a melhor forma de lidar com esse tipo de pessoas é ignorando, não mostrando medo, nessa altura eram as últimas coisas que eu conseguia fazer.
Mas ter o 11º ano ou ter o 9º, ia dar no mesmo. E os meus pais queriam o melhor para mim, queriam que eu estudasse, para no futuro ter melhores oportunidades. Para isso era necessário ter, pelo menos, o 12º ano! Como hoje lhes agradeço essa imposição!
Felizmente, aquele ano passou-se, tal como passou o seguinte (muito melhor porque nessa altura já as ditas raparigas tinham deixado a escola secundária).
Hoje, olhando para trás, quando as vejo casadas e com filhos, penso se de facto teriam consciência daquilo que tanto gostavam de fazer, ou se seria uma rebeldia da adolescência.
Hoje, não procuro detectar uma situação semelhante em cada esquina, mas tento ficar atenta, para que a minha filha não venha a passar pelo mesmo que eu.
Para que, se um dia isso acontecer, eu possa compreendê-la, ajudá-la, e dar-lhe todo o meu apoio, na luta contra esta dura realidade!


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Psicologia versus Life Coaching

O mundo está em constante transformação – todos os dias surgem novas ideias, novos conhecimentos, novas invenções, novas descobertas, novas tendências, novas atitudes e comportamentos, novas mentalidades, novas exigências, aos mais variados níveis e nos mais diversos campos.
Cada vez mais, essa transformação afecta as pessoas, que acabam por procurar soluções para amenizar ou aniquilar o seu impacto nas suas vidas.
Actualmente, quer a nível global, por causa da crise que atravessamos e tudo o que ela implica, quer a nível individual, por situações particulares que aconteceram ou acontecem com cada um de nós, as pessoas sentem necessidade de uma luz ao fundo do túnel, de fórmulas milagrosas, de apoio, de orientação…
Há quem procure tudo isso em Deus, na fé, na Igreja…Há quem consiga essa ajuda através da Psicologia. E, provavelmente, neste contexto surge agora o Life Coaching.
Mas afinal, em que diferem a Psicologia e o Life Coaching?
Há quem diga que um psicólogo não faz mais do que ouvir aquilo que as pessoas têm para contar, ouvir desabafos e lamentos, e com isso as pessoas sentem-se mais aliviadas. Há quem prefira entupir as pessoas com antidepressivos e outros medicamentos do género, do que encaminhá-las para um psicólogo.
Mas um psicólogo não é apenas um ouvinte, é bem mais do que isso. Um psicólogo estuda o nosso comportamento e a nossa mente, estuda a forma como agimos perante as situações, a forma como nos adaptamos ao meio em que vivemos.
Ele observa, escuta, e tenta explicar e esclarecer porque tivemos determinado tipo de comportamento ou determinada reação a situações e problemas específicos, que poderão ser influenciados pelo nosso metabolismo, temperamento, motivação, ou pelo meio, cultura ou grupo de que fazemos parte.
De uma forma geral, a psicologia procura tratar os problemas humanos individuais e interpessoais através do aconselhamento, fazendo-nos perceber aquilo que nos está a afectar, porque nos está a afectar, e qual a melhor forma de ultrapassar.
Talvez qualquer pessoa possa ser chamada de psicólogo (um amigo, um pai, um avô), muitas vezes até podemos ser psicólogos de nós próprios, mas pelo sim, pelo não, não custa ouvir a opinião de quem estudou e se formou nessa ciência! Quanto mais não seja para confirmar as nossas próprias teorias e conclusões!
No Coaching, existe um Coach, que nada mais é que um treinador, e um coachee, neste caso cada um de nós.
E o que faz este treinador? Treina-nos! Para um determinado objectivo que queremos alcançar!
Ou seja, procuramos o nosso treinador, explicamos o que pretendemos, ou quando nem isso sabemos, ele tenta-nos fazer perceber para que lado devemos caminhar, e a partir daí traça-nos um plano e uma meta, cuja duração para atingi-la depende dos casos e da resposta obtida.
No caso do Coaching Pessoal, ou mais conhecido por Life Coaching, o treinador procura que o jogador descubra e faça uso das suas próprias competências, reconheça e supere as suas fragilidades, encorajando e motivando.
Ajuda-nos a organizar aqueles mil e um pensamentos que andam sem rumo, à solta na sopa de letras que habita no nosso cérebro.
Pode funcionar como um apoio para o nosso autoconhecimento e um estímulo para termos objectivos na vida e metas para cumprir com sucesso, a dar um novo sentido à nossa vida.
Por vezes, o coach serve-se de pequenas histórias para, a partir daí, nos fazer pensar e compreender melhor certos comportamentos, certas atitudes e melhorarmos ou alterarmos, se for o caso disso.
Como em tudo na vida, às vezes damos por nós a pensar – “isto é tudo muito bonito na teoria, mas na prática não me serve para nada”!
Na minha opinião, acho que ambos se podem complementar e ser muito úteis. Se precisarmos, cá estão, se não precisarmos, melhor ainda!