Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...


Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!




How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…

Now I have decided to open those drawers, and this is the result!



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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dois Irmãos - Duas Histórias



Quando perderam a mãe, eram apenas duas crianças!
Duas crianças que, daí em diante, foram criadas pelo pai, e pelas tias.
Nessa altura viviam em plena região alentejana, divididos entre Barrancos e Moura.
Levavam uma vida dura, no campo, privados de muitas coisas essenciais...
E assim cresceram até que, um dia, os dois irmãos vieram para Lisboa.
Pode-se dizer que são muito parecidos, em termos de feitios, e quanto mais velhos mais parecidos ficam!
Mas sempre houve uma diferença que os fez, mesmo tão perto um do outro, seguir rumos e estilos de vida tão diferentes - a ambição!
O meu tio é daquelas pessoas que não se contenta com o que tem, se sabe que pode ter mais. E foi nesse sentido que, com a ajuda da minha tia, sempre lutaram, trabalhando sábados, domingos e feriados, sem folgas, quase sem descanso, para poderem atingir o objectivo a que se tinham proposto.
Primeiro por conta de outros e, mais tarde, por conta própria, passavam os dias no café restaurante Primavera, de manhã até madrugada.
Quando as minhas primas já podiam, ajudavam os pais a servir às mesas e ao balcão, e tudo o mais que fosse preciso, já que um dia viriam a usufruir das regalias proporcionadas por todo aquele esforço.
Raramente as vi passear, aproveitar a infância e a adolescência, divertir-se como qualquer rapariga da idade delas.
O meu tio, além do restaurante, que entretanto trespassou, abrindo depois um café (que entretanto também alugou porque já estava na altura de deixar de trabalhar e gozar os rendimentos), construiu a casa onde hoje mora.
Construiu também outras moradias - umas que ainda tem para alugar, outras que vendeu. E comprou terrenos, que deu às filhas para que elas próprias pudessem construir as suas casas.
Hoje, têm uma boa vida. Não lhes contei o dinheiro, mas sei que estão bem e têm o seu futuro assegurado. Embora o meu tio se esteja sempre a queixar (sem motivo), dinheiro é algo que não lhe falta.
Já o meu pai, nunca sonhou muito alto, nunca foi ambicioso!
Mesmo tendo oportunidade para melhorar, continuou satisfeito no seu emprego como carpinteiro, a ganhar o básico. O lema dele sempre foi "para hoje tenho, amanhã logo se vê"!
Passadas algumas dificuldades em que teve, por exemplo, que vender a própria aliança de casamento para ter dinheiro, ou quando ficou sem trabalho, aos 50 anos, e todos lhe batiam com a porta porque já era demasiado velho para trabalhar (e nessa altura foi o meu tio que o ajudou), conseguiu finalmente um trabalho, numa fábrica, onde esteve até se reformar.
Mas, apesar de nunca ter ambicionado uma vida melhor, sempre fez tudo para que não faltasse nada lá em casa.
Tanto eu como o meu irmão, sempre tivemos o essencial.
Acima de tudo, muito amor e muitas aventuras com o meu pai!
Foi ele que me levou a conhecer o Jardim Zoológico e a Feira Popular!
Foi com ele que fui a primeira vez ao circo!
Era com ele que eu ia para o campo fazer piqueniques e apanhar pinhas!
Era com ele que eu ia todos os anos no mês de Agosto para a praia!
Muitos dos poemas e textos que ele escrevia, eram sobre mim, ou para mim!
Hoje, o meu pai não tem carro, vive numa casa alugada, tem uma reforma que lhe proporciona uma vida um pouco melhor do que quando trabalhava. E ainda consegue ajudar os filhos sempre que é necessário, com o pouco que tem.
Para ele basta-lhe. E é feliz assim!
Se poderia ter sido de outra maneira? Até poderia ter sido...mas não seria a mesma coisa!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Psicologia versus Life Coaching

O mundo está em constante transformação – todos os dias surgem novas ideias, novos conhecimentos, novas invenções, novas descobertas, novas tendências, novas atitudes e comportamentos, novas mentalidades, novas exigências, aos mais variados níveis e nos mais diversos campos.
Cada vez mais, essa transformação afecta as pessoas, que acabam por procurar soluções para amenizar ou aniquilar o seu impacto nas suas vidas.
Actualmente, quer a nível global, por causa da crise que atravessamos e tudo o que ela implica, quer a nível individual, por situações particulares que aconteceram ou acontecem com cada um de nós, as pessoas sentem necessidade de uma luz ao fundo do túnel, de fórmulas milagrosas, de apoio, de orientação…
Há quem procure tudo isso em Deus, na fé, na Igreja…Há quem consiga essa ajuda através da Psicologia. E, provavelmente, neste contexto surge agora o Life Coaching.
Mas afinal, em que diferem a Psicologia e o Life Coaching?
Há quem diga que um psicólogo não faz mais do que ouvir aquilo que as pessoas têm para contar, ouvir desabafos e lamentos, e com isso as pessoas sentem-se mais aliviadas. Há quem prefira entupir as pessoas com antidepressivos e outros medicamentos do género, do que encaminhá-las para um psicólogo.
Mas um psicólogo não é apenas um ouvinte, é bem mais do que isso. Um psicólogo estuda o nosso comportamento e a nossa mente, estuda a forma como agimos perante as situações, a forma como nos adaptamos ao meio em que vivemos.
Ele observa, escuta, e tenta explicar e esclarecer porque tivemos determinado tipo de comportamento ou determinada reação a situações e problemas específicos, que poderão ser influenciados pelo nosso metabolismo, temperamento, motivação, ou pelo meio, cultura ou grupo de que fazemos parte.
De uma forma geral, a psicologia procura tratar os problemas humanos individuais e interpessoais através do aconselhamento, fazendo-nos perceber aquilo que nos está a afectar, porque nos está a afectar, e qual a melhor forma de ultrapassar.
Talvez qualquer pessoa possa ser chamada de psicólogo (um amigo, um pai, um avô), muitas vezes até podemos ser psicólogos de nós próprios, mas pelo sim, pelo não, não custa ouvir a opinião de quem estudou e se formou nessa ciência! Quanto mais não seja para confirmar as nossas próprias teorias e conclusões!
No Coaching, existe um Coach, que nada mais é que um treinador, e um coachee, neste caso cada um de nós.
E o que faz este treinador? Treina-nos! Para um determinado objectivo que queremos alcançar!
Ou seja, procuramos o nosso treinador, explicamos o que pretendemos, ou quando nem isso sabemos, ele tenta-nos fazer perceber para que lado devemos caminhar, e a partir daí traça-nos um plano e uma meta, cuja duração para atingi-la depende dos casos e da resposta obtida.
No caso do Coaching Pessoal, ou mais conhecido por Life Coaching, o treinador procura que o jogador descubra e faça uso das suas próprias competências, reconheça e supere as suas fragilidades, encorajando e motivando.
Ajuda-nos a organizar aqueles mil e um pensamentos que andam sem rumo, à solta na sopa de letras que habita no nosso cérebro.
Pode funcionar como um apoio para o nosso autoconhecimento e um estímulo para termos objectivos na vida e metas para cumprir com sucesso, a dar um novo sentido à nossa vida.
Por vezes, o coach serve-se de pequenas histórias para, a partir daí, nos fazer pensar e compreender melhor certos comportamentos, certas atitudes e melhorarmos ou alterarmos, se for o caso disso.
Como em tudo na vida, às vezes damos por nós a pensar – “isto é tudo muito bonito na teoria, mas na prática não me serve para nada”!
Na minha opinião, acho que ambos se podem complementar e ser muito úteis. Se precisarmos, cá estão, se não precisarmos, melhor ainda!