Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...


Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!




How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…

Now I have decided to open those drawers, and this is the result!



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quarta-feira, 7 de março de 2012

A Solidão na Velhice


Quando falamos em solidão, temos que ter em conta que ela não escolhe sexo, classe social, e nem mesmo idade.
Cada vez mais, a solidão deixa de ser algo que afecta exclusivamente os idosos, para se instalar também nas camadas mais jovens.
No entanto, no seguimento das tristes notícias que nos têm chegado, sobre idosos que faleceram sozinhos em casa, é sobre esse tema que me quero debruçar hoje.
De facto, são muitas as pessoas que, ao chegarem à velhice, acabam por se sentir isoladas, desamparadas ou negligenciadas.
Algumas, porque simplesmente não têm família, amigos ou alguém que possa olhar por eles vendo-se, assim, abandonados à sua sorte.
Outras, mesmo tendo familiares ou conhecidos que os poderiam ajudar, rejeitam essa possibilidade, porque consideram que são ainda capazes de se valer a si próprios.
Há ainda aquelas que, ao longo de toda a sua vida, foram afastando quem lhes queria bem, com atitudes, gestos e palavras, acabando entregues à solidão.
Nesses casos, quem fica responsável por essas pessoas? Quando as relações com a família estão cortadas, deverão ser os vizinhos a ter essa preocupação, por uma questão de solidariedade? Existem associações ou entidades que possam prestar assistência a estas pessoas, sem fins meramente lucrativos?
Por outro lado, nem todas as famílias têm disponibilidade para acompanhar o envelhecimento dos seus familiares.
E é aqui que se levantam outras questões: devem estes idosos ser colocados em instituições onde, à partida, terão um melhor acompanhamento a todos os níveis, ou será uma egoísta transferência de deveres da família para uma instituição? O que leva a família a optar por esta solução privando, muitas vezes, o idoso do relacionamento familiar? Será, na verdade, uma solução válida, ou puro abandono de responsabilidades? E até que ponto estarão essas instituições preparadas para fazer face às necessidades dos idosos?
Como em todas as decisões, também nesta deveria imperar o bom senso, e as reais necessidades dos nossos idosos.
Optar por colocar um idoso num lar apenas porque nos dá trabalho e não temos paciência para o aturar, não deixa de ser um acto de egoísmo. Mas se não tivermos realmente disponibilidade para o acompanhar a tempo inteiro, e pudermos deixá-los com que possa fazê-lo, para benefício do próprio, será uma atitude racional. Nem sempre as soluções que podemos escolher serão as melhores, mas são as possíveis.
Penso que, sempre que possível, devem ser os próprios idosos a tomar essa decisão voluntariamente, quando o possam fazer. Há instituições muito boas e onde eles se podem sentir mais acompanhados do que em casa, fazer amizades, participar em diversas actividades e sentir-se em família.
Mas convém não esquecer que existem outras, em que os idosos não passam de um número, de uma mensalidade a mais a receber, em que apenas lhes é proporcionada uma cama, alimentação e pouco mais. E não são raros os casos de maus tratos e falta de condições.
Eu, pessoalmente, vejo a instituição como uma hipótese a considerar só mesmo em último caso, mas espero nunca ter que recorrer a ela porque, enquanto puder, quero os meus pais ao pé de mim.
De qualquer forma, quem optar por essa solução, deve acompanhar, sempre que possível, os seus familiares, manter-se informado sobre a forma como são tratados, e constatar que realmente se sentem bem.
Acima de tudo, é uma questão de amor – de cuidar e zelar pelo bem-estar e qualidade de vida daqueles que, um dia, já o fizeram por nós!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Solidão

 

“Gosto de estar sozinha…mas não gosto de me sentir sozinha”

Talvez algumas pessoas não compreendam porque, tantas vezes, desejo estar sozinha, porque gosto e me sinto bem sem companhia. E eu respondo: porque estou quase sempre acompanhada! No trabalho ou em casa, são raros os momentos em que não tenha companhia. E depois faz-me falta estar algum tempo sozinha, dedicar-me a mim, aos meus pensamentos, às minhas reflexões, e até àquelas tarefas que se fazem melhor quando não estamos acompanhadas.
Por outro lado, compreendo que, quem passe a maior parte do seu tempo sozinho, goste de se rodear de pessoas e conviver, de forma a compensar esse isolamento.
Eu própria gosto muito de conversar, conhecer pessoas e conviver com aquelas com quem me identifico, tal como adoro a companhia das pessoas que fazem parte da minha vida.
Mas há uma diferença entre estar sozinha e me sentir sozinha.
Na verdade, posso passar a minha vida toda acompanhada por inúmeras pessoas e, ainda assim, me sentir completamente só.
A solidão, é mais do que um sentimento de querer companhia de alguém, é uma profunda sensação de vazio, uma carência de algo novo que nos transforme.
Estarmos sozinhos, em algum momento da nossa vida, por circunstâncias da vida ou por opção, pode ser uma experiência positiva, saudável e enriquecedora.
No entanto, quando nos sentimos sozinhos, sentimos que não temos ninguém com quem partilhar a nossa vida, que não temos ninguém que nos compreenda, ninguém que nos ame…A partir daí, começamo-nos a sentir inseguros, inúteis e insignificantes, a nossa auto-estima baixa e ficamos com a sensação que não fazemos falta a ninguém.
A falta de amizades verdadeiras, de pessoas com quem nos possamos identificar de alguma forma, a perda de alguém, o afastamento do nosso círculo social, ou a falta de profundidade dos relacionamentos, pode levar as pessoas à solidão. Solidão essa que, por sua vez, pode desencadear a depressão.
Tenho momentos em que me sinto sozinha, em que penso como era bom ter feito mais amizades ao longo da minha vida, em que me condeno por não ter muitos objectivos nem ser ambiciosa, em que me apetece conversar e nem sempre tenho alguém para me ouvir, alguém que me compreenda e aos meus sentimentos…
Mas, nesses momentos, penso na minha filha, nos meus pais (que moram mesmo aqui ao lado), na minha família mais chegada, no meu namorado, nas poucas amizades que tenho, e chego à conclusão que não tenho por que me sentir sozinha, porque não estou!