Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...


Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!




How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…

Now I have decided to open those drawers, and this is the result!



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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Anda tudo doido?

http://www.youtube.com/watch?v=iORoPWwtM2s&feature=player_embedded

Enquanto lamentamos as mortes, causadas pela vaga de frio, na Ucrânia e na Polónia, alguém decide obrigar o filho a andar semi-nu pelas ruas de Nova Iorque, cobertas de neve, para "reforçar" o seu carácter e a sua saúde! Andará tudo doido?

Um pouco por toda a Europa, principalmente no centro e leste, o frio parece não dar tréguas às populações, sendo a Ucrânia um dos países mais afectados, embora esta camada de ar polar se espalhe igualmente por outros países como a Bósnia, a Sérvia, a Hungria, a Bulgária, a Itália, a França ou a Suiça. Até mesmo em Portugal, estamos a sentir os seus efeitos.
E depois ficamos estupefactos quando somos confrontados com notícias como esta: a colocação, na Internet, de um vídeo que mostra um menino de quatro anos, forçado pelos pais a correr semi-nu (apenas cuecas e um par de ténis), pelas ruas cheias de neve, em Nova Iorque.
A justificação para tal acto é, no mínimo, bizarra - "a extrema necessidade de reforçar o caráter e a saúde do seu filho"!
Apesar de chorar e tiritar de frio, enquanto percorre as calçadas cobertas de neve, e de pedir colo aos pais, estes parecem imunes à sua súplica. Pelo contrário, até o incentivam a deitar-se sobre a neve. Afinal, parece que desde muito pequeno foi submetido a um duro treino que fortalecesse a sua saúde, uma vez que tinha nascido prematuro. Como tal, esta seria apenas mais uma etapa desse rigoroso treino.
Eu só me pergunto, depois de ter assistido a estas duas realidades tão distintas, se andará tudo doido?!
Será uma questão de frieza, ou terá sido a corrente polar a gelar o cérebro, e o coração, de tais pessoas?...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Quando somos o nosso maior inimigo...

Lembro-me de um comentário tão inofensivo e banal que, aos ouvidos de qualquer outra pessoa, poderia ter passado despercebido, como algo que entra por um lado e sai logo em seguida pelo outro. E acredito que não seria mais do que isso.
Mas naquele momento, foi como se se fizesse luz na minha cabeça, ou melhor dizendo, foi o que quase me levou a um caminho bem sombrio.
Tinha 14 anos na altura e, como dizia quem me conhecia, era uma rapariga bem constituída. Não era magra, como uma das minhas amigas, mas também estava longe de ser gorda.
Naquele dia, estava eu com as minhas duas amigas a conversar, e surgiu aquela frase - de nós 3, eu era a mais "cheinha"!
É óbvio que não devo ter gostado muito dessa ideia. Penso mesmo que foi a partir daí que comecei a fazer a minha primeira dieta.
Fui cortando aqui e ali, deixando de comer isto e aquilo, e os resultados começavam a fazer-se sentir, deixando-me bastante animada.
Tive que apertar quase todas as minhas calças que, entretanto, ficaram largas demais para as minhas pernas, mas via isso como uma vitória!
Fui emagrecendo mais, e mais, e mais - mas para mim não era ainda o suficiente. Olhava-me ao espelho e pensava - só mais um bocadinho e está bom. Só que por mais bocadinhos que emagrecesse, havia sempre algum que ainda faltava.
Mesmo quando todos à minha volta afirmavam que eu estava demasiado magra, que tinha um corpo bem feito e estava a estragar tudo, eu permanecia cega e surda. E assim passei dos meus 57,5kg para uns míseros 43,5kg.
É o comportamento típico de alguém que sofre de anorexia: uma percepção distorcida do próprio corpo que nos leva a achar que, por mais magros que estejamos, continuamos gordos. Há um medo intenso e irracional de ganhar peso, e enveredamos por rígidas dietas loucas e jejuns que nos levam a uma desnutrição grave e, até mesmo, ao envelhecimento prematuro. Muitas vezes aliamos também uma prática excessiva de actividade física.
Mesmo para pessoas que até se podem considerar inteligentes, tanto a opinião dos outros sobre si, como o estereótipo que lhes impõem, de que a magreza é fundamental para o sucesso social e económico, pode ser determinante para despoletar este tipo de comportamento.
Para quem não conhece o problema, é estranho como alguém "normal" pode considerar-se acima do peso, estando muito abaixo.
Felizmente, não me deu para provocar o vómito, nem tomar diuréticos ou usar laxantes. Nunca cheguei a ser internada nem medicada. Também nunca fiz terapia de grupo nem familiar - nessa altura não havia uma preocupação tão grande com este problema como de há uns anos para cá.
O meu pai tentou muitas vezes chamar-me à razão, alertar-me para o que estava a fazer com a minha saúde. De carne, já quase não havia sinais, a única coisa que se via era pele e osso.
De qualquer forma, pode-se dizer que, apesar de tudo, não fui um caso grave. Ao fim de algum tempo deve ter havido outra luz que voltou a iluminar o caminho certo, e tudo se recompôs.
Cada um nasce com características próprias, aceites de forma inquestionável, até ao dia em que nos lembramos, ou nos lembram, de fazer comparações com outros.
Penso que seja a partir daí que começam a surgir todos aqueles pequenos grandes "defeitos" que nos fazem sentir diferentes, e que queremos à força corrigir.
Não digo que não possamos melhorar algumas coisas que não nos fazem sentir bem, mas não por imposição, não pelos outros.
Claro que, com a maturidade, muita confiança no nosso valor, e a certeza de que não somos apenas um corpo; que não temos que ser de determinada forma para sermos aceites por esta ou aquela pessoa, conseguimos viver sem os fantasmas que muitas vezes nos impedem de sermos nós próprios, e de nos sentirmos bem, com tudo aquilo que nos torna únicos!



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Portugal em Insolvência

Ando eu todos os dias a ver as notícias que por aqui andam e não pude deixar de concordar com as palavras que um administrador de insolvência de uma empresa escreveu "infelizmente, insolvente está o país..." E tal como se diz, a palavra de ordem é "corta" - corta aqui, corta ali, corta isto, corta aquilo...parece que neste regresso às aulas o material a comprar será tesouras! Não, porque para estes cortes não são necessárias!
Eu de política não percebo nada, nem tenho intenções de perceber. Também não fiz nada para escolher quem iria governar, porque na minha opinião qualquer um que vá para lá, fará sempre o mesmo. Por isso não tenho agora o direito de reclamar, mas concordo quando dizem que não precisamos de um contabilista para o nosso país, precisamos de mais do que isso.
E neste momento, parece-me estar realmente perante um contabilista, que tenta equilibrar o país pondo 90% de responsabilidade nos cortes a quem já pouco tem, e 10% de cortes no resto. Ainda ontem estava a ouvir na televisão as medidas de austeridade num qualquer país da União Europeia, no qual se aumentava o IVA para 21%, e a idade da reforma para os 65! E pensei eu cá com os meus botões, Portugal já há muito que não sabe o que isso é, Portugal já faz mais do que sacrifícios, mas para certos políticos, ainda não chega, ainda exigem mais.
Depois vem a chanceler alemã, Angela Merkel, dizer que Portugal deveria igualar o n.º de horas de trabalho, o n.º de dias de férias e a idade da reforma aos outros países da União Europeia! Concordo plenamente com ela, igualemos então isso, mas igualemos também o resto - os ordenados, as condições de vida, os acessos à saúde e todas as outras coisas para as quais ainda estamos tão atrasados.
Sinceramente, não sei o que nos reserva daqui para a frente, penso que muitos mais sacrifícios iremos fazer, muito mais dificuldades iremos passar, muitos mais cortes, muitos mais impostos e tudo o que necessário seja, para que não se tenha que ir incomodar os mais endinheirados (porque supostamente em Portugal não há ricos, embora haja quem diga que em Portugal basta terem um bocadinho mais de dinheiro para serem apelidados de ricos) que fazem falta ao nosso país. Porque se esses se sentirem incomodados, fogem, e lá se vai o investimento e o dinheiro de Portugal!
Nesses não lhes podemos tocar, nem incomodar com impostos.
Acho piada (sem piada nenhuma), investirem na diminuição do trabalho infantil e do analfabetismo - passar a exigir como escolaridade obrigatória o 12º ano, incentivarem as famílias a porem os filhos a estudar, para um futuro melhor.
Ao mesmo tempo, encerram-se escolas, despedem-se professores, cortam as verbas e o apoio para a educação - qualquer dia, em vez de serem os pais a receber ajuda para compra de livros e material, são os pais a ajudarem as escolas a terem material e a continuarem em funcionamento!
E se sair muito caro, nem sequer pôem os filhos na escola. Paciência, antigamente também não estudavam tanto e não morreram por isso. Que lá andem os filhos daqueles que não fazem nada e têm rendimentos mínimos garantidos e ajudas e subsídios e que não pagam nada.
Em vez de se investir na saúde, encerram-se hospitais, maternidades, serviços - ficamos com o INEM e ambulâncias. Isto se não estiverem paradas por falta de combustível, à espera de verbas que nunca chegarão.
Chegámos ao ponto de os hospitais pedirem aos doentes para levarem medicamentos de casa, de pedirem a outros hospitais material que não têm!
E depois esta linda ideia das vacinas, que até podem fazer parte do plano nacional de vacinação, mas quem quiser que as pague, porque o estado não vai comparticipar tais desperdícios. Se alguém morrer, melhor, menos um para o estado se preocupar!
Quantos mais morrerem melhor, daí os cortes na saúde, na segurança social, etc, etc... Viva à falta de dinheiro, viva à falta de cuidados, viva à falta de condições, viva à falta de tudo o que o simples trabalhador não conseguirá com o quase suplicado ordenado que sabe-se lá continuará a receber ou não!
E para os que estão desempregados ou pensam vir a trabalhar, esqueçam. A palavra de ordem é reduzir pessoal, todos os dias mais e mais pessoas ficam desempregadas, mais subsídios de desemprego serão cortados, e menos oportunidades de trabalhar haverão. Por isso se não tiverem como sobreviver, morram também que não fazem cá falta!
Só não consegui perceber muito bem qual é a ideia - a intenção era promover e incentivar as pessoas a terem filhos, para aumentar a população jovem que escasseia em Portugal, e daí tem toda a lógica retirar comparticipações nos contraceptivos. Quem quiser, vá ao centro de saúde, em meia dúzia de dias esgotam e já está. Não há dinheiro para comprar, passamos ao surto de nascimentos.
Por outro lado, um aborto é 100% pago pelo estado, por isso vamos lá abortar, e resolve-se o problema.
Portanto, matamos os que já cá estão, e os que viriam a estar!
Enfim, um verdadeiro país insolvente, em que em primeiro lugar vêm os ricos, políticos e afins, e cá bem no fim da lista, já sem esperança de ver alguma luz ao fundo do túnel, os quase dez milhões de portugueses!
Assim vamos nós, por cá!