Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...


Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!




How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…

Now I have decided to open those drawers, and this is the result!



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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Quem diria



Por esta é que eu não esperava!
Sempre utilizei água oxigenada para desinfectar feridas, e fico agora a saber que não o deveria ter feito. Ou, pelo menos, não é a solução mais eficaz para o efeito.
Contrariando a velha máxima "o que arde, cura", acabando com a tradição dos "ais" (provocados pelo contacto da água oxigenada com a ferida) e das "sopradelas" para aliviar o ardor, e derrubando a crença de que só quando deixar de formar espuma esbranquiçada, a ferida estará totalmente desinfectada e a caminho da rápida cicatrização, foi-me ontem explicado que o seu uso contínuo é desaconselhado.
Em vez disso, devemos limpar uma ferida lavando-a com água e sabão neutro, ou outros produtos mais tolerantes. O farmacêutico informou-me que uma primeira vez até podemos utilizar a água oxigenada para desinfectar, mas depois disso não.
De facto, ao cometermos esse erro, estamos a atrasar a cicatrização da ferida, além de não estar garantida a total limpeza e desinfecção.
A água oxigenada, embora passa ser considerada um bom desinfectante, com eficácia considerável na eliminação de microorganismos em pele intacta, não funciona tão bem como antisséptico, na eliminação de germes em feridas. Assim como também não distingue esses germes das células dos tecidos da ferida, agredindo ambos de igual forma.
É, então, preferível prosseguir o tratamento com antissépticos eficazes que não irritem nem agridam os tecidos, como por exemplo o Betadine.
E, assim sendo, já se está a ver que a minha filha, mesmo magoada no joelho, vai dar pulos de alegria quando lhe disser que já não vai ser preciso arder mais (e gritar que nem uma doida), para ela ficar boa!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Pão por Deus

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Hoje é dia 1 de Novembro. Feriado. Dia de Todos os Santos.
E é também dia de as crianças se levantarem cedo, pegarem cada uma no seu saquinho, e correr a vila de porta em porta, de uma ponta à outra, até ao meio dia, a pedir o "Pão por Deus"!
Ou talvez não...
Há umas décadas atrás, este dia significava que as crianças de então iam ter direito a encher os seus saquitos, com aquelas iguarias que eram demasiado caras para os pais comprarem. Era um dia de festa para a maioria das crianças pobres da região!
No meu tempo, lembro-me de ir em grupo, com as minhas amigas. Fazíamos quase todos os anos o mesmo percurso e até já sabíamos o que nos iriam dar em determinados sítios. Havia uma casa, a casa amarela e rosa, cuja moradora era dona de uma loja de roupa - então, dava-nos sempre cuecas! Às vezes tínhamos sorte, calhava-nos uma moedita ou outra!
Para quem ficava em casa, era um corrupio de crianças a bater à porta. Mal se acabava de fechar, e já se estava de novo a abrir.
As guloseimas esgotavam-se muitas vezes a meio da manhã, mas normalmente tinha mais sorte quem pedia sozinho, ou em grupos mais pequenos.
Hoje, é muito fácil qualquer criança ter acesso a todo o tipo de guloseimas. Por isso não estão para sair à rua para encher um saco com aquilo que em qualquer altura do ano podem ir à loja e comprar.
Já para não falar que há muitos pais que têm vergonha que os filhos andem a pedir de porta em porta.
Hoje, vem um grupo ou uma criança ou outra numa manhã inteira, e quem se abasteceu para dar o "Pão por Deus" às crianças, ou dá em grandes quantidades às poucas que vão aparecendo, ou acaba por ficar com quase tudo dentro das embalagens.
E assim se vai acabando com uma tradição...

sábado, 22 de outubro de 2011

Casamento

                                                                                      Foto de ramo de noiva com alianças
Se por acaso fosse pedida em casamento, teria que ser pelo menos umas duas ou três vezes! Porquê?
Bem…porque das primeiras vezes a minha resposta seria um não bem convicto! Da última talvez já me conseguissem arrancar um sim, muito puxadinho a ferros!
A verdade é que actualmente tenho uma visão bem diferente do casamento da que tinha há uns anos atrás.
Para mim, o casamento como todos nós o conhecemos, com direito a vestido de noiva, celebração religiosa, alianças, festa para a família, e um papel assinado, nos dias de hoje, simplesmente não faz sentido.
Se eu posso partilhar a minha vida com alguém, sem ter que passar por todos esses rituais, e ainda poupar dinheiro, que seria desperdiçado num único dia, para ficar bem na fotografia e levar para casa um DVD de recordação, para quê sujeitar-me a esse martírio?
Mas compreendo perfeitamente que o meu namorado tenha outra visão – para ele é a primeira vez, é normal que queira ter direito a tudo, como manda a tradição!
Eu já pensei exactamente como ele – com os meus 23 anos, achava que o casamento era uma coisa única na vida, e que iria durar para sempre. Achava tudo muito romântico e com um significado especial.
Mas a tradição já não é o que era, e como se costuma dizer, mudam-se os tempos, mudam-se as mentalidades, pelo menos a minha.
Para mim, e como disse o conservador no dia em que me casei, o casamento não é mais do que um contrato, um papel assinado que para muitos pode parecer uma garantia, mas que no fundo não nos garante nada - é puro engano.
Não é uma cerimónia bonita que nos traz felicidade, não é um papel que nos garante que vamos viver felizes para sempre. Aprendi isso, quando percebi que o meu casamento tinha acabado ao fim de quase 6 anos. E o trabalho que tive para me conseguir divorciar! Bem vistas as coisas, paguei bem para ter direito a dois papéis, quando poderia ter evitado tudo isso.
A união de duas pessoas que se amam e querem partilhar a sua vida juntas, construindo um projecto comum, é o mais importante e o mais valioso.
Quando duas pessoas tomam essa decisão, é como se decidissem passar de simples empregados, a administradores da empresa que vão agora criar, com todas as responsabilidades que isso acarreta!
E essa é a parte mais difícil – entregarmo-nos de corpo e alma para manter a nossa empresa a funcionar, por vezes com muitas dificuldades, com muitos sacrifícios, com muito esforço e dedicação, com amor e empenho, para que não vá à falência!
Se ambos trabalharem para o mesmo objectivo, acredito que tudo correrá pelo melhor, e a relação estará a cada dia mais consolidada e fortalecida. Mas quando uma das partes deixa de fazer o seu trabalho, ou quando os objectivos passam a ser diferentes, trabalhando cada um para o que mais lhe convém, não há relação que resista! É como estar dentro de um barco, cada um a remar para o lado oposto – o barco simplesmente não anda!
E infelizmente, é o que se vê mais hoje em dia. A ideia de casamento para a vida deu lugar ao casamento eterno, enquanto durar! Há até países que já apostam em uniões com termo certo! Fará sentido esta realidade?
Na minha opinião, não.
Embora o número de casamentos celebrados nos últimos anos tenha diminuído, contrastando com o número de divórcios que tem vindo a disparar, penso que nenhuma relação tem um prazo de validade pré-estipulado.
Qualquer relação pode durar uma vida inteira, como pode acabar quando não for mais possível continuar, sem que haja necessidade de prazos para renovação ou rescisão!
Além disso, sendo nós os “administradores” da nossa “empresa”, nunca haverá lugar a qualquer espécie de contrato. Quanto muito, decretamos falência, quando assim o entendermos.
Mas mais concretamente para aquelas pessoas que efectivamente se casaram, pelo registo civil, em que há um papel/ contrato assinado, não acredito que, nos tempos que correm, sendo cada vez mais fácil e rápido obter um divórcio, os casais continuem juntos se não o desejarem.
Como também não acredito que, casais que eventualmente continuem juntos por medo da separação, o deixem de ter pelo simples facto de terem esta opção de renovação ou não do casamento.
Por tudo isto, a não ser que fosse uma mera questão económica, de poupança de emolumentos do processo de divórcio, que podem ser dispendiosos se envolverem partilha de bens, ou nos casos de processos a correr em tribunal, não vejo qualquer utilidade para esta nova moda!