Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...


Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!




How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…

Now I have decided to open those drawers, and this is the result!



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Quando somos o nosso maior inimigo...

Lembro-me de um comentário tão inofensivo e banal que, aos ouvidos de qualquer outra pessoa, poderia ter passado despercebido, como algo que entra por um lado e sai logo em seguida pelo outro. E acredito que não seria mais do que isso.
Mas naquele momento, foi como se se fizesse luz na minha cabeça, ou melhor dizendo, foi o que quase me levou a um caminho bem sombrio.
Tinha 14 anos na altura e, como dizia quem me conhecia, era uma rapariga bem constituída. Não era magra, como uma das minhas amigas, mas também estava longe de ser gorda.
Naquele dia, estava eu com as minhas duas amigas a conversar, e surgiu aquela frase - de nós 3, eu era a mais "cheinha"!
É óbvio que não devo ter gostado muito dessa ideia. Penso mesmo que foi a partir daí que comecei a fazer a minha primeira dieta.
Fui cortando aqui e ali, deixando de comer isto e aquilo, e os resultados começavam a fazer-se sentir, deixando-me bastante animada.
Tive que apertar quase todas as minhas calças que, entretanto, ficaram largas demais para as minhas pernas, mas via isso como uma vitória!
Fui emagrecendo mais, e mais, e mais - mas para mim não era ainda o suficiente. Olhava-me ao espelho e pensava - só mais um bocadinho e está bom. Só que por mais bocadinhos que emagrecesse, havia sempre algum que ainda faltava.
Mesmo quando todos à minha volta afirmavam que eu estava demasiado magra, que tinha um corpo bem feito e estava a estragar tudo, eu permanecia cega e surda. E assim passei dos meus 57,5kg para uns míseros 43,5kg.
É o comportamento típico de alguém que sofre de anorexia: uma percepção distorcida do próprio corpo que nos leva a achar que, por mais magros que estejamos, continuamos gordos. Há um medo intenso e irracional de ganhar peso, e enveredamos por rígidas dietas loucas e jejuns que nos levam a uma desnutrição grave e, até mesmo, ao envelhecimento prematuro. Muitas vezes aliamos também uma prática excessiva de actividade física.
Mesmo para pessoas que até se podem considerar inteligentes, tanto a opinião dos outros sobre si, como o estereótipo que lhes impõem, de que a magreza é fundamental para o sucesso social e económico, pode ser determinante para despoletar este tipo de comportamento.
Para quem não conhece o problema, é estranho como alguém "normal" pode considerar-se acima do peso, estando muito abaixo.
Felizmente, não me deu para provocar o vómito, nem tomar diuréticos ou usar laxantes. Nunca cheguei a ser internada nem medicada. Também nunca fiz terapia de grupo nem familiar - nessa altura não havia uma preocupação tão grande com este problema como de há uns anos para cá.
O meu pai tentou muitas vezes chamar-me à razão, alertar-me para o que estava a fazer com a minha saúde. De carne, já quase não havia sinais, a única coisa que se via era pele e osso.
De qualquer forma, pode-se dizer que, apesar de tudo, não fui um caso grave. Ao fim de algum tempo deve ter havido outra luz que voltou a iluminar o caminho certo, e tudo se recompôs.
Cada um nasce com características próprias, aceites de forma inquestionável, até ao dia em que nos lembramos, ou nos lembram, de fazer comparações com outros.
Penso que seja a partir daí que começam a surgir todos aqueles pequenos grandes "defeitos" que nos fazem sentir diferentes, e que queremos à força corrigir.
Não digo que não possamos melhorar algumas coisas que não nos fazem sentir bem, mas não por imposição, não pelos outros.
Claro que, com a maturidade, muita confiança no nosso valor, e a certeza de que não somos apenas um corpo; que não temos que ser de determinada forma para sermos aceites por esta ou aquela pessoa, conseguimos viver sem os fantasmas que muitas vezes nos impedem de sermos nós próprios, e de nos sentirmos bem, com tudo aquilo que nos torna únicos!



Músicas que me marcaram neste ano de 2011 - Parte II

Grande vídeo para uma grande música!
 Within Temptation

Em português - Nuno Guerreiro
E para acabar com ritmo...

sábado, 5 de novembro de 2011

Músicas que me marcaram neste ano de 2011 - Parte I

Músicas que me marcaram neste ano de 2011
Esta foi a que mais me animou durante a Primavera e Verão - dá vontade de dançar, de cantar, de viver a vida e conviver com aqueles de quem mais gostamos!
Esta é sem dúvida uma música romântica, que fala do amor inocente, de sentimentos puros e verdadeiros, em que cada gesto conta e não há necessidade de apressar...

Adele - Pela emoção com que ela interpreta a música, e pela emoção que transmite a quem a ouve...

E aqui está mais uma bem divertida para dançar!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Reflexão do dia

É incrível como, apesar das mais diversas línguas, das mais avançadas tecnologias, das mais variadas formas de expressão e de todos os meios existentes e disponíveis, ainda assim, muitas vezes, não conseguimos comunicar, não conseguimos transmitir nem captar a mensagem, não compreendemos nem nos fazemos entender...
Irónico, não?

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Abraço Apertado

Que pode uma mãe fazer quando a sua filha de 7 aninhos acorda a chorar, depois de ter tido um pesadelo em via que ia morrer?
Dar-lhe um abraço bem apertado, que a conforte e a faça sentir segura, umas festinhas na cabeça e uns miminhos para acalmar, mostrar-lhe que não passou de um sonho mau e, por último, nada como umas palhaçadas da mãe para lhe voltar a ver o sorriso estampado na cara!

Uma Questão de Vida

                O que mais me impressiona nas grandes reportagens, que muitas vezes passam na televisão, é a forma como, tão disfarçada e inocentemente (ou talvez não), os responsáveis pelas mesmas conseguem que o público, levado pelas emoções, tome partido e opine sobre o assunto em questão, defendendo exactamente o ponto de vista que intencionalmente se pretende.
                Vejamos, por exemplo, o caso da menina Safira. A sensação que fica, é que nos queriam transmitir e fazer acreditar na história de uma menina que recuperou de um cancro renal, evitando a quimioterapia. Que os pais são pessoas corajosas e lutadoras, que a justiça só funciona para o que convém, e que os médicos em Portugal não têm competência para exercer a profissão nem tão pouco zelam pelos interesses das crianças.
                Acredito que muitas das pessoas que viram a reportagem, consideraram esta atitude dos pais da menina como um exemplo a seguir. Mas esta reportagem levanta muitas questões.
                A medicina convencional sempre teve o seu lugar garantido sendo, até há pouco tempo, a primeira, e quase sempre, única opção. À medida que se verifica um aumento de pessoas a recorrer às terapêuticas não convencionais, a medicina tradicional pode eventualmente sentir-se ameaçada.
                Acredito que alguns médicos simplesmente recusem qualquer terapêutica alternativa, porque estão convencidos que, aquela que praticam, é a única eficiente. Mas também há quem respeite e reconheça os benefícios de outras medicinas, embora seja um respeito e reconhecimento limitado, devido a pouca clarificação nos procedimentos adoptados, e acreditação dos profissionais que as praticam.
                A crescente procura destas terapêuticas não convencionais resulta de uma maior consciencialização para o papel importante que desempenham, uma maior responsabilização dos doentes em relação à sua própria saúde, e surge muitas vezes do medo, e como opção de fuga aos possíveis efeitos secundários prejudiciais da medicina convencional.
                Este foi, aparentemente, o motivo que levou os pais da Safira a recusarem o tratamento pós-operatório de quimioterapia proposto – extremamente agressivo e com sequelas para a criança, pondo-se mesmo em causa a sua sobrevivência ao tratamento.
                Mais, os pais procuravam a cura, e não apenas a sobrevivência. E assim, correram mundo em busca de alternativas, desobedecendo a médicos e tribunais, como verdadeiros heróis.
                Não lhes tirando o mérito, porque de facto o têm, não deixou de ser uma aposta, um tiro no escuro que por acaso e felizmente correu bem (pelo menos até agora).
                Tiveram coragem de arriscar um tratamento diferente para a sua filha, ainda relativamente recente, menos penoso e doloroso, e aí investir todas as suas forças e dedicação.
                Se este caso da Safira é um precedente e um exemplo a seguir? Bem, convém não esquecer que a menina já tinha feito quimioterapia, antes de ser operada. E que ainda não está curada. Apenas não tem a doença manifestada neste momento.
                O próprio Ralph Steinman, Nobel da Medicina 2011, utilizou em si próprio este tratamento inovador, na área imuno-oncológica, baseado em vacinas de células dendríticas, fornecidas pelo próprio paciente, tendo-se verificado resultados animadores em tumores renais e cerebrais.
                Infelizmente, no seu caso não se mostrou suficiente - muito embora tenha prolongado o seu tempo de vida, o mesmo acabou por falecer vítima de cancro.
                Penso que a medicina convencional e a medicina alternativa, deveriam complementar-se entre si e unir esforços na luta pela saúde e bem-estar dos pacientes, das novas descobertas e novos tratamentos possíveis.
                Aqui no caso da Safira, entendo que este método experimental, a que está a ser sujeita, é uma terapêutica complementar à medicina convencional à qual já foi anteriormente submetida. Que até ao momento tem-se mostrado benéfica.
                Se é verdade que optar por tratamentos experimentais, sem segurança e eficácia comprovadas é um risco, e por isso os protocolos tentam “defender” os doentes das opiniões pessoais e nunca testadas de alguns médicos, também é verdade nem sempre o conhecimento baseado em centenas de ensaios clínicos e métodos rigorosos são sinónimo de sucesso garantido.
                Tal como também é verdade que qualquer método, hoje cientificamente testado, começou por ser experimental, e se não se tivesse começado por aí, actualmente nem sequer existiria.
                O que acontece é que, quando alguém se depara com a doença, sentindo-se impotente, tem uma necessidade quase cega de acreditar e confiar em alguém, e muitas vezes nem questiona as decisões dos médicos, afinal, eles existem para nos salvar! Mas também são humanos, e também erram.
                O primeiro erro que muitas vezes cometem, é o de não informarem correctamente os pacientes omitindo, por vezes, aquilo que muitos de nós gostaríamos que nos tivesse sido dito e explicado.
                A outra questão que se põe, é a da responsabilidade: quem é responsável pela vida da criança? Se os pais optarem pelo tratamento constante do protocolo e, como tal, proposto pelos médicos, assinam um documento a autorizar o referido tratamento. E se a criança não sobreviver ao tratamento? São os pais os responsáveis, porque autorizaram o tratamento? São os médicos? São os responsáveis pelo protocolo?
                E se os pais não autorizarem e se recusarem a levar a criança ao tratamento? Será a Comissão Nacional de Protecção de Menores? Ou o Tribunal que sentencia os pais a fazerem o tratamento sob pena de perderem a guarda da filha?
                Sim, porque optando os pais pela terapêutica alternativa, serão de certeza responsabilizados pela escolha que fizeram.
                Nesse sentido, sempre que estiver em causa a saúde e o bem-estar dos nossos filhos, e que os nossos esforços e convicções sejam nesse sentido (e não na simples recusa de tratamento sem apresentar outra alternativa minimamente viável), penso que nos deveria ser dado o direito de decisão, assumindo a responsabilidade pela mesma.
                Em toda a nossa vida somos confrontados com escolhas que temos que fazer para seguir o nosso caminho. Todas elas têm prós e contras – ainda assim, temos que decidir qual será a nossa.
                E afinal, de que nos vale ter alguém a quem responsabilizar, quando não conseguimos salvar a vida de quem tanto amamos?
                               

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Pão por Deus

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Hoje é dia 1 de Novembro. Feriado. Dia de Todos os Santos.
E é também dia de as crianças se levantarem cedo, pegarem cada uma no seu saquinho, e correr a vila de porta em porta, de uma ponta à outra, até ao meio dia, a pedir o "Pão por Deus"!
Ou talvez não...
Há umas décadas atrás, este dia significava que as crianças de então iam ter direito a encher os seus saquitos, com aquelas iguarias que eram demasiado caras para os pais comprarem. Era um dia de festa para a maioria das crianças pobres da região!
No meu tempo, lembro-me de ir em grupo, com as minhas amigas. Fazíamos quase todos os anos o mesmo percurso e até já sabíamos o que nos iriam dar em determinados sítios. Havia uma casa, a casa amarela e rosa, cuja moradora era dona de uma loja de roupa - então, dava-nos sempre cuecas! Às vezes tínhamos sorte, calhava-nos uma moedita ou outra!
Para quem ficava em casa, era um corrupio de crianças a bater à porta. Mal se acabava de fechar, e já se estava de novo a abrir.
As guloseimas esgotavam-se muitas vezes a meio da manhã, mas normalmente tinha mais sorte quem pedia sozinho, ou em grupos mais pequenos.
Hoje, é muito fácil qualquer criança ter acesso a todo o tipo de guloseimas. Por isso não estão para sair à rua para encher um saco com aquilo que em qualquer altura do ano podem ir à loja e comprar.
Já para não falar que há muitos pais que têm vergonha que os filhos andem a pedir de porta em porta.
Hoje, vem um grupo ou uma criança ou outra numa manhã inteira, e quem se abasteceu para dar o "Pão por Deus" às crianças, ou dá em grandes quantidades às poucas que vão aparecendo, ou acaba por ficar com quase tudo dentro das embalagens.
E assim se vai acabando com uma tradição...