Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...


Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!




How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…

Now I have decided to open those drawers, and this is the result!



Mostrar mensagens com a etiqueta experiência. Mostrar todas as mensagens
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A Nossa Força Interior

 


“No final daquela tarde, o pai levou o seu filho para uma floresta, no cimo da montanha, e propôs-lhe uma experiência: o filho teria que ficar toda a noite naquele lugar, sozinho, de olhos vendados, sem poder chamar por ninguém, e só no dia seguinte, quando surgissem os primeiros raios de sol, poderia tirar a venda dos olhos, e sair de lá. Outra das regras era não poder falar dessa experiência com ninguém. O filho aceitou e, mesmo amedrontado com todos os barulhos que ouvia e com os perigos que corria, só retirou a venda quando, após aquela noite horrível, o sol apareceu. Descobriu então o seu pai, sentado ao seu lado. Na verdade, nunca o deixara. Estivera ali com o filho a noite toda, a protegê-lo!”

Dizem que Deus é como este pai. Também ele, embora não o consigamos ver, está sempre connosco para nos proteger, e não deixar que nada de mal nos aconteça.
Pois eu não acredito em Deus. Pelo menos não como alguém que esteja lá em cima, seja lá onde for, a olhar por todos nós cá em baixo.
Quantas vezes já nos questionámos sobre a sua existência, e sobre o seu poder? Quantas vezes já duvidámos que seja, de facto, real?
Vemos tantas desgraças acontecerem a quem não merecia. Vemos tantas pessoas, que só fazem mal, nunca ser castigadas. Assistimos a catástrofes, guerras, sofrimento, fome, e mortes “prematuras”, se assim lhes podemos chamar…Pessoas que vivem (ou sobrevivem) em condições desumanas...
A explicação que nos dão é simples – tudo o que acontece cá em baixo é obra do Homem, e não de Deus! Muito bem! Mas se Deus existisse, da forma como o descrevem, da forma como o “pintam”, não permitiria, de certeza, que metade destas coisas acontecesse.
Viveríamos num mundo mais justo, se houvesse alguém lá em cima, superior a todos nós, que nos protegesse, que nos encaminhasse, que estivesse connosco, que mantivesse a ordem das coisas. Mas talvez não dependa dele… Talvez sejam as leis do Universo! Talvez tudo o que acontece tenha uma razão de ser e uma explicação que nos escapa, ou que nem temos que dela ter conhecimento.
Seja como for, cada um tem as suas crenças, e há que respeitá-las.
Eu acredito que, a existir Deus, ele está dentro de cada um de nós e manifesta-se sob a forma de força interior. A nossa força interior, que nos faz mover, que nos faz enfrentar a vida e tudo o que elas nos traz, que nos faz acreditar em nós e naquilo que somos ou nos podemos tornar!
Se não tivermos fé, esperança, e se não acreditarmos em nós próprios, não conseguiremos acreditar em mais nada. Tudo na vida gira e move-se porque há uma força que o faz acontecer. E, a força que nos faz viver, é aquela que encontrarmos dentro de nós...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Experiência

“A experiência é como uma lanterna dependurada nas costas – apenas ilumina o caminho já percorrido”
CONFÚCIO

                       

Lembro-me de uma história que li uma vez, sobre duas moscas que caíram num copo de água. Uma delas, lutou desesperada para conseguir sair de lá mas, ao fim de pouco tempo, estava de tal forma cansada que acabou por não ter mais forças e afogou-se. A outra, mais ponderada, conseguiu com calma chegar até ao rebordo do copo e voou, salvando-se da morte certa. Uns tempos mais tarde, essa mesma mosca volta a cair num copo, desta feita mais alto. Uma outra, que observava a cena, tentou ajudá-la, sugerindo-lhe que se servisse da palhinha para subir. Mas a mosca, baseando-se na sua experiência adquirida da aventura anterior, resolveu agir como dessa vez, ignorando o conselho da sua amiga. E assim, acabou por ter um triste destino.
É certo que todos nós aprendemos alguma coisa com a experiência que, ao longo da nossa vida, vamos adquirindo. Mas isso não significa que estejamos totalmente preparados para o futuro, imunes ao que ele nos reserva, ou que tenhamos aprendido a lição completa.
À medida que vamos vivendo percebemos que, no caminho já percorrido, tivemos acções que se revelaram acertadas, cometemos erros que agora poderemos saber evitar, e adquirimos conhecimentos que até então não possuíamos.
Mas a vida é uma experiência contínua, uma aprendizagem permanente, e nem sempre aquilo que já sabemos pode ser aplicado no caminho que temos pela frente, e nas situações que se apresentem daí em diante.
Por vezes, a vida troca-nos as voltas e, quando assim é, de nada vale a experiência adquirida perante uma visão completamente nova aos nossos olhos.
Aquilo que passámos ontem, e sabemos hoje, pode não ser suficiente nem apropriado para enfrentar o nosso amanhã!
Por isso, é importante guardar essa experiência já adquirida como uma mais-valia, mas não permitir que ela nos limite ou impeça de agir de uma forma diferente num futuro ainda por desbravar!

sábado, 14 de janeiro de 2012

Montanha Russa



Como num parque de diversões, o meu companheiro desafia-me a dar uma volta na montanha russa!
Olho para ela - subidas a pique, descidas vertiginosas, loopings de arrepiar...e é tão grande...tão alta...
Digo-lhe que não vou conseguir, claro, e que o melhor é ficarmos cá em baixo e deixar os outros andarem!
Ele afirma, convicto, que não tenho que ter medo, que vai ser divertido e que está ao meu lado. E eu penso "pois, pois, isso dizes tu. Eu não consigo ver o lado divertido e descontraído da coisa"!
Mas de tanto me "massacrar" para experimentá-la, lá me resolvo então a acabar com o tormento de uma vez por todas - afinal, são só alguns minutos, e depois de ele ver o estado em que de lá saio, nunca mais me volta a falar de montanhas russas!
Estou, então, prestes a comprar o bilhete, e a sentar-me no lugar que me será destinado, com aquele nervoso miudinho de quem ainda nem começou e já se arrependeu de ter aceitado, de quem sabe que não pode voltar atrás nem se levantar sem que a viagem tenha terminado, de quem conta os segundos que mais parecem uma eternidade, para que a montanha comece a andar e acabe depressa, mas sempre na esperança que algum imprevisto a impeça de funcionar!
Afinal, surgiram mesmo imprevistos, e parece que a montanha vai permanecer parada até nova ordem.
Experiência adiada, ainda que sem direito a desistência...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Um dia chega a nossa vez

Apesar da dura realidade que enfrentamos, e das más notícias que nos chegam todos os dias ao ouvido, não podemos desmoralizar, deixarmo-nos vencer pelo negativismo e desistir.
Eu sei que não é fácil ver os dias, os meses, e por vezes até mesmo os anos a passarem, sem que tenhamos conseguido encontrar um trabalho.
Aos meus quinze anos, na idade em que me apetecia comprar uma infinidade de coisas e não podia, porque os meus pais não tinham dinheiro para os meus devaneios, meti na cabeça que queria deixar de estudar e ir trabalhar! Como se com essa idade, alguém me desse trabalho!
Claro que os meus pais não foram na conversa, e foi aí que mostrei pela primeira vez a minha rebeldia de adolescente. Lembro-me de ter chorado "baba e ranho", de ter pronunciado uns quantos disparates e palavras nada bonitas de se ouvir contra os meus pais - literalmente, fiz birra!
Escusado será dizer que de nada me serviu, porque fui obrigada a terminar o 12º ano.
Como hoje os compreendo! Os pais sabem sempre (ou quase sempre) o que é melhor para os filhos, e aqui estavam totalmente certos.
Eu tinha que estudar, tinha que pelo menos completar o 12º ano, porque isso ser-me-ia útil mais tarde, quando me propusesse a entrar no mercado de trabalho.
E assim foi - com 18 aninhos e uma média de 17, tive direito ao valioso (ou nem por isso) certificado de habilitações. Inscrevi-me no Centro de Emprego da minha zona e esperei que a sorte me batesse à porta, já que não havia ninguém a precisar de empregada nos arredores.
Era muitas vezes chamada pelo Centro de Emprego para ir a entrevistas. Além de ter que me deslocar à sede, a mais de 40 quilómetros, quando lá chegava percebia que para uma única vaga, concorriam uns 20 candidatos!
O mais engraçado é que, chegados aos respectivos locais, éramos informados que já não precisavam de ninguém! Outros então, nem sabiam porque nos tinham mandado lá!
Quantas vezes me perguntei para que servia afinal o Centro de Emprego? Quantas vezes tem afixados anúncios de empregos, quando há tantas pessoas à espera de serem chamadas sem sucesso?
Outra coisa que me fazia imensa confusão e me revoltava, era em todos os anúncios de emprego pedirem experiência. Ora, se nunca me dessem a oportunidade de trabalhar pela primeira vez, como poderia algum dia ter experiência?
Durante um ano, estive 15 dias numa fábrica de estofos para carros, em que a minha função consistia em desenhar os moldes nas peles e cortar. Mas era óbvio que naquela pequena empresa familiar, não havia lugar para estranhos, e tanto a mim como à minha cunhada, trataram de nos pôr a andar, além de ter sido difícil receber o pagamento desses poucos dias.
Também experimentei um dia como armazenista, ao fim do qual não me conseguia mexer de tão dorida que estava de arrumar caixotes! Igualmente por um dia, fui empregada de balcão numa pastelaria. Mas nada disso me satisfazia, e esperei por algo que realmente gostasse.
Numa das minhas deslocações a uma perfumaria, em vésperas de Natal, enviada pelo meu querido Centro de Emprego, fiquei a saber que o anúncio já tinha passado da validade. Mas como havia bastante movimento, ainda me propuseram ficar lá o resto do dia, a fazer embrulhos e laçarotes! Pelo menos ganhei qualquer coisita e ainda me deram umas amostras de perfume!
Foi então que o Instituto do Emprego e Formação Profissional me convocou para tirar um Curso de Práticas Administrativas, remunerado, com a duração de ano e meio. Fiz testes psicotécnicos, entrevistas e exames médicos de selecção, e consegui entrar.
Tínhamos várias disciplinas como a Informática, Inglês, Direito, Práticas Administrativas ou Contabilidade. Em Contabilidade aconteceu uma coisa muito engraçada - fizemos um teste e a formadora deu-me 20! O  meu primeiro 20! Só que os superiores cairam-lhe em cima e pressionaram-na a baixar a nota porque segundo eles "dar um 20 a um formando é o mesmo que dizer que ele sabe tanto como a formadora"!
Mas adiante, ao fim de um ano de curso teórico, veio a fase do estágio. Por ironia do destino, fui eu que elaborei uma lista com várias possíveis empresas para cada um de nós, e por sorteio, calhou-me logo a que não oferecia perspectivas de emprego no futuro.
Foi uma grande frustração andar mais de um mês a arquivar facturas e recibos, para me entreter, sem poder pôr em prática nada do que aprendi, e sabendo que terminado o estágio, voltava à estaca zero, ao contrário de alguns colegas meus, que ficaram nas empresas que lhes couberam. Mais um diploma para arrumar na gaveta.
E mais um ano em que me valeu as repetidas inscrições nos tempos livres da Câmara Municipal, já que a minha candidatura ao concurso público não deu frutos (já sabiam de antemão quem lá iam pôr dentro). Um mês na secção de Contencioso e outro na secção de Contabilidade, 3 horas por dia. Depois 2 meses de pausa (não podiam ser seguidos). Os seguintes foram passados entre a secção de Recursos Humanos e a Biblioteca, onde adorei estar! A terceira temporada começou na Biblioteca e terminou antecipadamente no Museu. Por intermédio da minha tia, que conhecia o pai do rapaz que ia abrir uma loja de animais, ou seja, com uma "cunha" consegui ficar com o cargo de empregada na dita loja.
Estava super contente porque finalmente ia trabalhar a sério. Tive formação durante uma tarde sobre os vários produtos para peixinhos, sobre aquários e outras coisas mais.
Mas como se costuma dizer, ou não aparece nada, ou aparece tudo, e nessa mesma tarde recebi um telefonema de um advogado que precisava de uma secretária, a perguntar se estava interessada.
Ainda um pouco admirada, porque não me lembrava de ter enviado o meu curriculum para esse advogado, fui à entrevista. Afinal tinha sido a advogada onde o meu patrão tinha estagiado, que lhe deu o meu contacto (eu tinha lá deixado o meu curriculum uns meses antes).
Expliquei-lhe que tinha outro trabalho em vista mas que, se me oferecesse as mesmas condições, aceitava.
E aqui continuo eu, há já 11 anos! E sem "cunhas"! Foi o melhor que fiz porque a dita loja de animais, nem 3 meses sobreviveu, tal como todos os animais que lá se encontravam!
Por isso, pensamento positivo e esgotem todas as possibilidades, por mais remotas que possam parecer, porque um dia chegará a vossa vez!