Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...


Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!




How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…

Now I have decided to open those drawers, and this is the result!



sábado, 14 de janeiro de 2012

Montanha Russa



Como num parque de diversões, o meu companheiro desafia-me a dar uma volta na montanha russa!
Olho para ela - subidas a pique, descidas vertiginosas, loopings de arrepiar...e é tão grande...tão alta...
Digo-lhe que não vou conseguir, claro, e que o melhor é ficarmos cá em baixo e deixar os outros andarem!
Ele afirma, convicto, que não tenho que ter medo, que vai ser divertido e que está ao meu lado. E eu penso "pois, pois, isso dizes tu. Eu não consigo ver o lado divertido e descontraído da coisa"!
Mas de tanto me "massacrar" para experimentá-la, lá me resolvo então a acabar com o tormento de uma vez por todas - afinal, são só alguns minutos, e depois de ele ver o estado em que de lá saio, nunca mais me volta a falar de montanhas russas!
Estou, então, prestes a comprar o bilhete, e a sentar-me no lugar que me será destinado, com aquele nervoso miudinho de quem ainda nem começou e já se arrependeu de ter aceitado, de quem sabe que não pode voltar atrás nem se levantar sem que a viagem tenha terminado, de quem conta os segundos que mais parecem uma eternidade, para que a montanha comece a andar e acabe depressa, mas sempre na esperança que algum imprevisto a impeça de funcionar!
Afinal, surgiram mesmo imprevistos, e parece que a montanha vai permanecer parada até nova ordem.
Experiência adiada, ainda que sem direito a desistência...

Oportunidades

Nascer do Sol Guarda

Diz-se que as oportunidades são como o nascer do Sol: se demorarmos muito, perdemo-las!

Mas como bem sabemos, o sol nasce todos os dias. E quando nasce, nasce para todos!
Talvez por isso mesmo, porque tanto o nascer como o pôr-do-sol são realidades diárias, acabam por perder o interesse, e só nos lembramos delas quando nos apetece.
Já as oportunidades, nem sempre batem a todas as portas, nem tão pouco com a mesma frequência.
No entanto, temos a tendência para considerar que elas são efectivamente como o nascer do sol - mais e melhores virão!
E, dessa forma, deixamo-las escapar!
Cada oportunidade que surge, é única, raramente voltará a aparecer. Podem vir outras melhores, piores, semelhantes, mas aquela não voltará. E essas novas oportunidades, não nos caem à frente quando nós queremos. É por isso que devemos agarrá-las uma a uma...
Também o nascer e o pôr-do-sol, apesar de acontecerem todos os dias, nem sempre são visíveis. Mas, quando temos o privilégio de os observar, porque não aproveitar para apreciá-los? Afinal, serão sempre momentos diferentes e únicos...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dois Irmãos - Duas Histórias



Quando perderam a mãe, eram apenas duas crianças!
Duas crianças que, daí em diante, foram criadas pelo pai, e pelas tias.
Nessa altura viviam em plena região alentejana, divididos entre Barrancos e Moura.
Levavam uma vida dura, no campo, privados de muitas coisas essenciais...
E assim cresceram até que, um dia, os dois irmãos vieram para Lisboa.
Pode-se dizer que são muito parecidos, em termos de feitios, e quanto mais velhos mais parecidos ficam!
Mas sempre houve uma diferença que os fez, mesmo tão perto um do outro, seguir rumos e estilos de vida tão diferentes - a ambição!
O meu tio é daquelas pessoas que não se contenta com o que tem, se sabe que pode ter mais. E foi nesse sentido que, com a ajuda da minha tia, sempre lutaram, trabalhando sábados, domingos e feriados, sem folgas, quase sem descanso, para poderem atingir o objectivo a que se tinham proposto.
Primeiro por conta de outros e, mais tarde, por conta própria, passavam os dias no café restaurante Primavera, de manhã até madrugada.
Quando as minhas primas já podiam, ajudavam os pais a servir às mesas e ao balcão, e tudo o mais que fosse preciso, já que um dia viriam a usufruir das regalias proporcionadas por todo aquele esforço.
Raramente as vi passear, aproveitar a infância e a adolescência, divertir-se como qualquer rapariga da idade delas.
O meu tio, além do restaurante, que entretanto trespassou, abrindo depois um café (que entretanto também alugou porque já estava na altura de deixar de trabalhar e gozar os rendimentos), construiu a casa onde hoje mora.
Construiu também outras moradias - umas que ainda tem para alugar, outras que vendeu. E comprou terrenos, que deu às filhas para que elas próprias pudessem construir as suas casas.
Hoje, têm uma boa vida. Não lhes contei o dinheiro, mas sei que estão bem e têm o seu futuro assegurado. Embora o meu tio se esteja sempre a queixar (sem motivo), dinheiro é algo que não lhe falta.
Já o meu pai, nunca sonhou muito alto, nunca foi ambicioso!
Mesmo tendo oportunidade para melhorar, continuou satisfeito no seu emprego como carpinteiro, a ganhar o básico. O lema dele sempre foi "para hoje tenho, amanhã logo se vê"!
Passadas algumas dificuldades em que teve, por exemplo, que vender a própria aliança de casamento para ter dinheiro, ou quando ficou sem trabalho, aos 50 anos, e todos lhe batiam com a porta porque já era demasiado velho para trabalhar (e nessa altura foi o meu tio que o ajudou), conseguiu finalmente um trabalho, numa fábrica, onde esteve até se reformar.
Mas, apesar de nunca ter ambicionado uma vida melhor, sempre fez tudo para que não faltasse nada lá em casa.
Tanto eu como o meu irmão, sempre tivemos o essencial.
Acima de tudo, muito amor e muitas aventuras com o meu pai!
Foi ele que me levou a conhecer o Jardim Zoológico e a Feira Popular!
Foi com ele que fui a primeira vez ao circo!
Era com ele que eu ia para o campo fazer piqueniques e apanhar pinhas!
Era com ele que eu ia todos os anos no mês de Agosto para a praia!
Muitos dos poemas e textos que ele escrevia, eram sobre mim, ou para mim!
Hoje, o meu pai não tem carro, vive numa casa alugada, tem uma reforma que lhe proporciona uma vida um pouco melhor do que quando trabalhava. E ainda consegue ajudar os filhos sempre que é necessário, com o pouco que tem.
Para ele basta-lhe. E é feliz assim!
Se poderia ter sido de outra maneira? Até poderia ter sido...mas não seria a mesma coisa!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Adrenalina

Não há um sem dois, nem dois sem três!
Desta vez, uma oferta de Natal do meu namorado!


Sam Capra está a viver a vida dos seus sonhos. Um jovem americano em Londres, tem um apartamento perfeito, um emprego perfeito na CIA e uma esposa perfeita, Lucy, que está grávida de sete meses do seu primeiro filho.
Mas, num dia de sol, tudo se desmorona. Sam recebe uma chamada de Lucy enquanto está a trabalhar. Ela diz-lhe para sair imediatamente do edifício. Ele sai momentos antes de o edifício explodir, matando todos os que estão lá dentro. Lucy desaparece e Sam acorda numa cela de prisão. Porque é que Lucy lhe telefonou? Seria ela uma esposa apaixonada ou uma agente inimiga? O seu filho, que ainda não nasceu, estará a salvo?
Com a adrenalina a correr-lhe nas veias, Sam entra numa corrida frenética para salvar a vida e descobrir a verdade sobre aqueles que pensava conhecer tão bem.

Bateria Recarregada



Hoje acordei decidida a ser uma nova mulher!
Sinto a bateria recarregada, no seu máximo, e estou confiante!
Quando chegamos ao fundo, só nos resta subir.
Por isso:
- chega de não acreditar em mim!
- chega de me vitimizar em vez de reagir!
- chega de fazer o que os outros querem que eu faça, só para que se sintam bem, quando isso me fizer mal a mim.
- chega de ter medos!
- chega de desistir à primeira dificuldade!
- chega de sofrer pelas situações menos boas que me acontecerem!
- chega de me condenar por todas as atitudes certas que tiver que tomar, mesmo que custe!
- chega de sentir culpa!
- chega de chorar! (a não ser que seja de alegria)
- chega de admitir determinados comportamentos errados!
- chega de permitir que, tanto eu como outras pessoas, destruam a minha vida e não me permitam ser feliz!
- chega de guerras, gritos e violência!
- chega de me encolher e esconder no meu cantinho (a não ser que seja n' o meu canto!)

Está na hora de, como se costuma dizer, "agarrar o touro pelos cornos"!
De sair cá para fora, agir, de ser a mulher adulta e determinada que sou, de viver!

Vamos lá ver quanto tempo dura a carga!...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Medos



Acordo ao som do telemóvel. É segunda-feira e está na hora de acordar.
Tacteando pela cama, lá consigo desligar o despertador. Abro os olhos mas volto a fechá-los.
A cabeça pesa-me, os olhos ardem-me, o coração dói-me. Mal tenho forças para me levantar...e, no entanto, sei que não posso ficar na cama.
Com dificuldade, faço um esforço para me dirigir até à cozinha, por entre tonturas e picadas no estômago.
Não me apetece falar, não me apetece ver ninguém.
Hoje deveria ser um dia feliz! Deveria...mas não está a ser.
Chegou a hora de avançar, de evoluir, de tomar decisões.
Sabia que este dia chegaria mais cedo ou mais tarde. Há já algum tempo que sinto "armas" à minha volta, apontadas à minha cabeça, à espera que eu tome uma atitude.
Há muito que passou a fase de o fazer livremente, e parece que a fase do ultimato também. Agora é o tudo ou nada.
Mas eu tenho medo, muito medo...E pior que lutar contra os outros, é lutar contra nós próprios.
Não preciso que ninguém me fale do assunto, porque eu penso nele constantemente. Não preciso que ninguém me diga que estou a arranjar desculpas, porque eu sei que são. Não preciso que ninguém me diga que está na hora, porque sei que está. Não preciso que ninguém me diga que estou sempre a adiar, porque eu sei perfeitamente que é a verdade.
Mas é, simplesmente, difícil para mim. Tenho este feitio, de me dar por derrotada ainda antes de começar a guerra. De não lutar por nada por medo. De pensar que não vou estar à altura do desafio, que não vou conseguir e vou acabar por estragar tudo.
Não tenho objectivos, não luto por aquilo que quero, sou insegura.
Tento, muitas vezes, pensar de forma positiva, ser optimista, avançar sem medos. Mas parece que, por cada passo que dou para a frente, recuo dois. Avanço novamente, mas o medo faz-me parar. Tento dar o passo, aquele decisivo, mas as pernas tremem, e acabo por dizer para mim própria que talvez amanhã consiga. Ou depois de amanhã...Ou depois de depois de amanhã...Mas as pernas não deixam de tremer...
Porquê? Porque é que não consigo? Porque é que sou assim? Não sei...Só sei que sou...
E ninguém está a conseguir fazer nada para me ajudar, pelo contrário. Só me lembram a cada dia que eu não posso ser assim, só me fazem sentir mais culpada. Mais do que eu já me sinto.
Talvez seja uma forma de ajuda, eu ouvir a verdade a todo o instante. A verdade que a minha própria consciência faz questão de martelar a cada minuto.
Talvez seja uma forma eficaz de me fazer andar, só para não ter que ouvir mais nada nem ninguém. Talvez resulte...
Se fizer aquilo que esperam de mim, já não me sinto culpada por ter desapontado alguém. Por estar a destruir os sonhos de alguém. Por estar a estragar o momento de alguém...
Quando estamos fragilizados, acabamos por fazer tudo só para diminuir a culpa.
Claro que depois, nos sentimos um lixo, ainda destruímos mais a nossa auto-estima...
Hoje deveria ser um dia feliz!
Mas não consigo olhar para o amor da mesma maneira - o amor não me está a deixar feliz, está a atirar-me para o fundo do poço, para a linha da frente, para o precipício...
E não me resta outra coisa a fazer senão deixar-me cair...Já me sinto morta por dentro, talvez com sorte não morra por fora...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Regras do Amor

Para aprender a andar a cavalo, há que ter em conta três regras básicas - não ter medo, fechar os olhos, e aguentar!"



Esta frase fez-me pensar: não será o amor como andar a cavalo?
Se pensarmos bem, as três regras aplicam-se - não podemos ter medo de amar, não conseguimos ver o que esse amor nos reserva no futuro, mas ainda assim, se quisermos vivê-lo, temos que seguir adiante, confiar na pessoa que está ao nosso lado, e com ela ultrapassar todos os obstáculos!
Claro que, para quem vai aprender a andar a cavalo pela primeira vez, acaba por ser mais fácil. É novidade, há todo aquele entusiasmo, aquela vontade de experimentar e ver como nos saímos. Por vezes, nem sequer pomos a hipótese de o cavalo nos atirar para o chão e de nos magoarmos.
Ou, se a consideramos, não é suficientemente forte para nos impedir de experimentar!
O pior é quando alguém já o fez, e deu-se mal. Quando essa pessoa, que queria muito aprender a montar, o fez sem reservas, sem medos, deixou-se levar e, quando abriu os olhos, estava caída.
Como é que essa pessoa reagirá perante uma nova tentativa? Perante um cavalo diferente do anterior?...