Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...


Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!




How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…

Now I have decided to open those drawers, and this is the result!



sábado, 22 de outubro de 2011

Casamento

                                                                                      Foto de ramo de noiva com alianças
Se por acaso fosse pedida em casamento, teria que ser pelo menos umas duas ou três vezes! Porquê?
Bem…porque das primeiras vezes a minha resposta seria um não bem convicto! Da última talvez já me conseguissem arrancar um sim, muito puxadinho a ferros!
A verdade é que actualmente tenho uma visão bem diferente do casamento da que tinha há uns anos atrás.
Para mim, o casamento como todos nós o conhecemos, com direito a vestido de noiva, celebração religiosa, alianças, festa para a família, e um papel assinado, nos dias de hoje, simplesmente não faz sentido.
Se eu posso partilhar a minha vida com alguém, sem ter que passar por todos esses rituais, e ainda poupar dinheiro, que seria desperdiçado num único dia, para ficar bem na fotografia e levar para casa um DVD de recordação, para quê sujeitar-me a esse martírio?
Mas compreendo perfeitamente que o meu namorado tenha outra visão – para ele é a primeira vez, é normal que queira ter direito a tudo, como manda a tradição!
Eu já pensei exactamente como ele – com os meus 23 anos, achava que o casamento era uma coisa única na vida, e que iria durar para sempre. Achava tudo muito romântico e com um significado especial.
Mas a tradição já não é o que era, e como se costuma dizer, mudam-se os tempos, mudam-se as mentalidades, pelo menos a minha.
Para mim, e como disse o conservador no dia em que me casei, o casamento não é mais do que um contrato, um papel assinado que para muitos pode parecer uma garantia, mas que no fundo não nos garante nada - é puro engano.
Não é uma cerimónia bonita que nos traz felicidade, não é um papel que nos garante que vamos viver felizes para sempre. Aprendi isso, quando percebi que o meu casamento tinha acabado ao fim de quase 6 anos. E o trabalho que tive para me conseguir divorciar! Bem vistas as coisas, paguei bem para ter direito a dois papéis, quando poderia ter evitado tudo isso.
A união de duas pessoas que se amam e querem partilhar a sua vida juntas, construindo um projecto comum, é o mais importante e o mais valioso.
Quando duas pessoas tomam essa decisão, é como se decidissem passar de simples empregados, a administradores da empresa que vão agora criar, com todas as responsabilidades que isso acarreta!
E essa é a parte mais difícil – entregarmo-nos de corpo e alma para manter a nossa empresa a funcionar, por vezes com muitas dificuldades, com muitos sacrifícios, com muito esforço e dedicação, com amor e empenho, para que não vá à falência!
Se ambos trabalharem para o mesmo objectivo, acredito que tudo correrá pelo melhor, e a relação estará a cada dia mais consolidada e fortalecida. Mas quando uma das partes deixa de fazer o seu trabalho, ou quando os objectivos passam a ser diferentes, trabalhando cada um para o que mais lhe convém, não há relação que resista! É como estar dentro de um barco, cada um a remar para o lado oposto – o barco simplesmente não anda!
E infelizmente, é o que se vê mais hoje em dia. A ideia de casamento para a vida deu lugar ao casamento eterno, enquanto durar! Há até países que já apostam em uniões com termo certo! Fará sentido esta realidade?
Na minha opinião, não.
Embora o número de casamentos celebrados nos últimos anos tenha diminuído, contrastando com o número de divórcios que tem vindo a disparar, penso que nenhuma relação tem um prazo de validade pré-estipulado.
Qualquer relação pode durar uma vida inteira, como pode acabar quando não for mais possível continuar, sem que haja necessidade de prazos para renovação ou rescisão!
Além disso, sendo nós os “administradores” da nossa “empresa”, nunca haverá lugar a qualquer espécie de contrato. Quanto muito, decretamos falência, quando assim o entendermos.
Mas mais concretamente para aquelas pessoas que efectivamente se casaram, pelo registo civil, em que há um papel/ contrato assinado, não acredito que, nos tempos que correm, sendo cada vez mais fácil e rápido obter um divórcio, os casais continuem juntos se não o desejarem.
Como também não acredito que, casais que eventualmente continuem juntos por medo da separação, o deixem de ter pelo simples facto de terem esta opção de renovação ou não do casamento.
Por tudo isto, a não ser que fosse uma mera questão económica, de poupança de emolumentos do processo de divórcio, que podem ser dispendiosos se envolverem partilha de bens, ou nos casos de processos a correr em tribunal, não vejo qualquer utilidade para esta nova moda!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Agora sim, parece que o Outono vem a caminho!

                                                                    

Todos nós aprendemos que ao longo do ano existem quatro estações - Primavera, Verão, Outono e Inverno.
Cada uma delas com características bastante definidas e que as diferenciam umas das outras.
Se falarmos da Primavera, lembramo-nos das andorinhas, das flores, das alergias...
Quando nos falam do Verão - pois claro - férias, praia, calor!
Já o Outono é conhecido pelas castanhas, as folhas em tons amarelos e avermelhados a cairem no chão...E como não poderia deixar de ser, o Inverno é época de chuva e frio!
O que nós não sabíamos é que estas estações, na prática, iriam deixar de existir, pelo menos da forma como as conhecemos.
E a prova disso é o Verão que tivemos este ano!
Os portugueses têm por norma tirar férias nos meses de Julho e Agosto, precisamente porque estamos no Verão.
Eu própria tirei férias nessa altura, como todos os anos, para poder estar com a minha filha nas férias dela, e proporcionar (a ela e a mim) umas boas idas à praia!
Desde bebé que fui habituada a ir à praia, e para mim é quase como uma terapia. A praia transmite-me paz, tranquilidade, renovação de energias...Dar um mergulho é como deixar tudo o que me incomoda ser levado pelas ondas, e sair de lá como uma nova mulher.
Adoro o mar, por vezes tão calmo e silencioso, mas outras revoltado, a bater nas rochas, as suas ondas a varrer a areia...enfim, adoro praia.
Este ano foi um pouco diferente dos outros...pela primeira vez, encontrei nas praias tudo o que se possa imaginar, fazendo-me imaginar que alguma revolução deve ter acontecido no oceano! Desde patas de caranguejo a cascas de mexilhão e ameijoas completamente partidas, cabeças de peixe, muitas pedras das mais variadas cores e feitios...A minha filha apanhou um buzio dos grandes, e entre as minhas descobertas veranescas, contam-se uma pedra em forma de carapaça de caracol, outra em forma de espiral, uma que parece um autêntico ouriço do mar, e diversas conchas tão perfeitas que nem parecem naturais!
Pela primeira vez também, cada vez que fomos à praia nas férias, levámos casacos vestidos! Não havia maneira de o calor chegar a esta terra.
Por isso mesmo, foi com uma enorme alegria e satisfação que aproveitei cada um destes dias (fins de semana e feriados), com que este Verão tardio nos brindou!
Até mesmo para trabalhar, ou para ir para a escola, é muito mais motivante acordar com os raios de sol a entrarem-nos pela janela logo pela manhã, do que nos depararmos com um dia cinzento e chuvoso.
Se tenho saudades do frio e da chuva? Nenhumas mesmo...Nunca me dei bem com o frio - andar com não sei quanta roupa vestida e mesmo assim não conseguir aquecer. Da chuva gosto, mas quando posso apreciá-la! Sem dúvida que o sol e o bom tempo me deixam muito mais bem disposta e humorada!
Mas já se estava a calcular que o nosso pequeno Verão não iria durar para sempre.
Por isso, mesmo não sabendo bem se o que aí vem é o Outono atrasado, ou se saltaremos para o Inverno antecipado, terei que me aguentar!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Divagação do dia

Às vezes apetecia-me...ser livre!


Pegar numa mochila e partir sem destino, rumo à aventura. Poder conhecer outras gentes, outras culturas...ver outras realidades que existem para além do meu pequeno mundinho.
Poder experimentar diferentes tipos de trabalhos, por opção, sem ter que depender de nenhum...fazer as coisas por gosto e não por obrigação!


Fazer amigos aqui e ali, deixar saudades e boas recordações, deixar a minha marca pessoal por onde passasse...
Ajudar, como pudesse, quem mais precisasse - levar sorrisos às crianças, recolher aquele animal abandonado...


Poder chegar aos meus 70 ou 80 anos e ter mil e uma aventuras e experiências para contar aos meus filhos e aos meus netos - sim, porque mesmo sendo livre, há lugar para o amor!


Sentir que valeu a pena esta passagem pela vida, e que não vim aqui somente para permanecer presa em mil e uma teias que determinadas circunstâncias e, talvez eu própria, tenhamos criado! 

sábado, 15 de outubro de 2011

Pais demitem-se!

Que bem que nos sabe de vez em quando despirmos o papel de mãe e pai e vestirmos o papel de mulher e homem!
Aquele tempinho que os nossos filhos estão em casa dos avós, a brincar com coleguinhas, ou vão passar um fim de semana fora, é um pequeno grande presente para nós – finalmente vamos poder descansar, cuidar de nós, namorar…
Então quando os nossos filhos se lembram de nos pôr os cabelos em pé e os nervos em franja, até temos vontade de os mandar mais depressa numa dessas viagens turísticas espaciais para Marte, por tempo indeterminado!
Claro está que, ao fim de pouco tempo, já estamos cheios de saudades deles e a querê-los de volta debaixo da nossa asa.
A minha relação com a minha filha, por exemplo, teve os seus maus momentos, e confesso que nessa ocasião, estive muito perto de lhe fazer a vontade e despachá-la de malas aviadas para casa do pai!
Mas depois pensei que era meu dever dar a volta por cima e agir como mãe, e mostrar-lhe que ainda teria que crescer muito para medir forças comigo, e conseguir destabilizar-me.
É verdade que dá trabalho, sim, é preciso muito jogo de cintura, muita paciência, muita determinação, mas já deveríamos saber que criar e educar um filho não era uma tarefa fácil.
Eu por exemplo, quando engravidei, pensei “e agora, será que vou ser uma boa mãe?”. Na verdade não me sentia minimamente preparada para tal papel, mas hoje, passados quase oito anos, com alguns tropeções pelo caminho e alguns erros cometidos, não deixo de sentir a sensação de que até aqui, estou a dar conta do recado!
Acredito que muitos tempos difíceis ainda estão por vir, que até agora foi apenas o período experimental. Ainda assim, estou cá para o que tiver que ser.
Mas a verdade é que, nos últimos tempos, têm surgido cada vez mais casos de pais que se demitem das suas funções.
Segundo Teresa Espírito Santo, presidente da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Lisboa/ Centro, nos últimos meses surgiram casos de pais que se demitiram completamente das responsabilidades dos seus filhos, e vão determinados a que seja a comissão a acolhê-los.
Os motivos são vários – desde pais que não conseguem impor regras e limites aos filhos, principalmente na adolescência, aos que têm carências financeiras e acham que o Estado tem o dever de assumir a responsabilidade.
E há ainda quem se sirva da comissão como um meio para atingir um fim, ou seja, progenitores que se acusam mutuamente de não cuidarem dos filhos, ou que pretendem levar o tribunal a rever as condições da guarda das crianças, no caso de pais separados.
Ricardo Carvalho, secretário executivo da CPCJ, reconhece que existem cada vez mais pais a utilizarem as comissões para obter o que não conseguem nas decisões judiciais.
Felizmente, ou infelizmente, este é um cenário que em nada me espanta, porque sempre existiu.
Quantos pais conhecemos que, por não terem condições financeiras, entregaram os filhos em instituições, ou para adopção?
Quantas crianças não foram deixadas com os avós, porque os pais não sabem o que é a responsabilidade de criar um filho?
Quantas mães abandonam os filhos? Quantos pais deixam as mulheres com filhos sozinhas nessa tarefa?
A novidade é que agora os pais têm mais uma porta à qual podem bater, sempre que quiserem entregar “a carta de demissão”, do cargo a que eles próprios se autopromoveram!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Discriminação

Num mundo em que parece só haver lugar para pessoas “perfeitas”, torna-se complicado não pertencer a esse grupo, e sair fora de um padrão que, sabe-se lá como, ou quem o criou…Em pleno século XXI, é revoltante perceber que ainda há muitos preconceitos, que ainda há tanta discriminação…é difícil imaginar e ser confrontada com a realidade, com o que essas pessoas sofrem…Principalmente quando estamos perante crianças. E há quem consiga ser muito cruel…
Desde um simples desconhecido com quem nos cruzamos na rua, aos colegas de escola, e por vezes até a própria família, são vários os casos de discriminação social com que nos deparamos ao longo da nossa vida.
Talvez até cada um de nós já a tenha sofrido a pele, em algum momento da nossa vida.
Nos meus tempos de miúda, lembro-me que aquelas crianças que tinham a sorte dos pais terem mais condições económicas, gozavam com os que infelizmente não os tinham. Quem não usasse roupa de determinada marca, era inferior. Os alunos que se aplicavam e estudavam para ter boas notas, eram discriminados pelos colegas.
Quem tivesse borbulhas, ou algum problema de saúde ou alguma deficiência, ficava de fora do grupo dos “perfeitos”.
Quando chegou o momento da minha filha ir para a escola, a primeira coisa que pensei foi “espero que os colegas dela não a discriminem pelo facto de usar óculos”. Não que para ela seja um problema; aliás qualquer diferença só o passa a ser, quando alguém nos faz sentir que somos diferentes, porque antes disso somos pessoas como outras quaisquer.
Para mim, e principalmente, para a minha filha, ela só se sente diferente quando alguém a faz lembrar que tem um problema de visão, quando alguém comenta isto ou aquilo. Mas felizmente, teve sorte, e na escola não há esse problema.
Já o mesmo não se pode dizer, por exemplo, daquela menina anã, que tem dificuldades em fazer amizades porque os colegas de escola não se aproximam dela.
Ela não se sente apoiada pelos colegas, pelo contrário, sente que o facto de ser mais pequena os afasta. Mas não se pense que ela se deixa desmotivar por isso, porque continua a lutar e a ser uma aluna, quem sabe até, melhor que muitos colegas seus.
Infelizmente, por tudo e por nada se discrimina – ora porque se é gordo, ora porque se é magro, porque é alto ou porque é baixo, porque tem isto ou aquilo, porque não tem isto ou aquilo, porque se é rico ou porque se é pobre, porque se gosta disto, porque não se gosta daquilo…
E mais grave se torna quando os autores dessa discriminação não são apenas adultos, mas começam também a ser crianças que, sabe-se lá porquê, acham-se cada vez mais donas da verdade.
Mas quem somos nós para pensar em tal coisa, para pensar que somos perfeitos, e que o facto de os outros não serem iguais a nós, os torna inferiores, os torna menos importantes, os transforma em pobres coitados?
Quem somos nós para os impedir de terem as mesmas oportunidades, de se sentirem iguais apesar das diferenças? Quando deveríamos ser os primeiros a fazer precisamente o contrário.
Já basta o sofrimento que essas pessoas passam, que essas crianças experimentam logo em pequenas. Nós podemos ajudá-las, não discriminando, não as fazendo sentir menos capazes. Isso não significa fazer exactamente o oposto, andar sempre de volta delas, tratando-as como vítimas, como doentes, como alienígenas…
Significa apenas ter o mesmo tipo de comportamento e atitude com todos os que nos rodeiam.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A Pequena Annie

Uma destas noites acordei a chorar, não porque tenha tido algum pesadelo terrível (como é costume quase todas as noites), mas porque tive um sonho que para mim foi muito especial…
A protagonista desse sonho era a pequena Annie, uma menina com uns 4 ou 5 anos, loirinha, muito meiga e carinhosa, que qualquer pessoa gostaria de ter como filha.
Pelo que pude perceber, no sonho, Annie tinha vindo passar uns tempos comigo, não sei bem em que contexto, mas talvez fosse uma espécie de família de acolhimento temporário.
O que é curioso, é que eu nunca tive muito jeito para crianças, nem tão pouco me via a ser mãe, ou estar rodeada de crianças.
Mas a verdade é que a maternidade veio, de alguma forma, alterar um pouco a minha forma de pensar!
Sei que no meu sonho, eu gostava muito da Annie, como se realmente de uma filha se tratasse.
Era tão bom poder contribuir para a felicidade dela, poder dar-lhe o carinho e o afecto que ela provavelmente nunca tinha tido…e o mais espantoso, é que ela gostava mesmo de mim! E eu que pensei que isso não era possível! Talvez só em sonhos…
Naquele dia, era o dia da despedida, o dia em que nos íamos separar. Umas senhoras, que deveriam ser da Segurança Social ou algo do género, vinham buscá-la.
Como é óbvio, estávamos as duas tristes porque era uma separação difícil, e tentávamos conter as lágrimas.
E logo aí, a insensibilidade de algumas pessoas que parecem tratar-nos como máquinas sem sentimentos – uma dessas ditas senhoras disse-me o seguinte “Não tem vergonha de estar com essa cara, devia era mostrar que está feliz para a menina não perceber e ser mais fácil ela vir connosco”!
Para não me chatear mais, e porque queria o melhor para a Annie, parei, baixei-me e disse-lhe baixinho “Vem cá Annie e dá-me um abraço! A Marta despede-se já aqui de ti, porque agora tens que ir com estas senhoras! Mas podes vir sempre que quiseres e te deixarem, porque a Marta gosta muito de ti!”…e assim, depois dos beijinhos, voltei para casa, já sem conseguir aguentar mais, a chorar…
A pequena Annie voltou, mais uma vez, extremamente feliz por poder estar comigo e irmos à praia! Estava tão contente como alguém que nunca foi a uma praia, ela puxava-me e saltava e corria! Assim que chegou à praia, foi direitinha ao mar!
Mas foi a última vez que a vi, a última vez que esteve comigo…pelo menos fisicamente, porque a última parte do sonho, foi precisamente a imagem que, embora ausente, a presença e a lembrança dela estaria para sempre comigo!
E acordei! Tal como agora, ao relembrar o sonho, com um nó na garganta e a chorar!

Sim, foi apenas um sonho…mas um sonho que, de alguma forma, reflecte aquilo que eu ultimamente tenho muitas vezes desejado – ajudar as crianças.
Na verdade, queria ter dinheiro para poder eu própria criar uma fundação, ou uma associação, ou qualquer que seja o nome que lhe queiram chamar.
Poder ajudar da forma que elas mais precisassem – com roupas, alimentos, materiais escolares, cuidados de saúde…
É quase como ser uma espécie de madrinha para essas crianças, sempre gostei de ser madrinha!
Uma das coisas que me daria mais prazer era ser uma verdadeira “Mãe Natal”, e passar a véspera de Natal a distribuir presentes, a quem nunca soube o que era receber um! Mas não só, porque mais importante que todas as prendas que se possam dar, é o facto de dedicarmos um pouco do nosso tempo para estarmos com as crianças, fazê-las sorrir, fazê-las sentir que há alguém que se preocupa com elas, que há alguém que lhes dá atenção e carinho.
Mas infelizmente, não me saiu o Euromilhões. Rica também não sou, o que me limita bastante. E confesso que depois de dar uma espreitadela a algumas instituições, em que se quisermos ajudar, temos que ser sócios e pagar mensalidades, ou ter não sei quantas formações para poder exercer voluntariado, ou ter que seguir mil e uma formalidades para criar uma instituição, fiquei desanimada.
Talvez um dia, se tiver condições financeiras, possa vir a fazer as coisas “à minha maneira”, sem burocracias, apenas com a minha dedicação, e tornar os sonhos reais!

domingo, 2 de outubro de 2011

Alguém sabia?

Estava eu no outro dia a conversar sobre o novo acordo ortográfico, quando me falaram no Esperanto! “Espe” quê? - perguntei eu!
Sim, porque em 32 anos nunca tinha ouvido pronunciar tal palavra. Mas essa é uma das coisas que eu aprecio na vida – estarmos sempre a aprender, a adquirir novos conhecimentos. Se podemos partilhar um pouco daquilo que sabemos com os outros, porque não fazê-lo?
Movida pela curiosidade, depois de ter ouvido a breve explicação dada, fui pesquisar em que consistia afinal o “Esperanto”.
Com grande admiração minha, descobri que obras clássicas importantes da humanidade, como os Lusíadas, estão traduzidas para Esperanto, bem como a Bíblia e textos litúrgicos, com a respectiva aprovação pela Santa Sé!
Agora imaginem que estão em casa, ou em mais uma daquelas viagens rotineiras de casa para o trabalho ou do trabalho para casa, e sintonizam na vossa estação de rádio preferida. De repente ouvem os locutores falarem numa linguagem estranha, que vos faz pensar que devem ter apanhado por engano a Rádio ET!
Mas a verdade é que diversas estações de rádio, inclusive a Rádio Vaticano, fazem emissões regulares em Esperanto!
E até existem dicionários de Português-Esperanto! Alguma vez eu imaginaria tal coisa?!
Em Portugal, o Esperanto tem vindo a ser divulgado e ensinado pela Associação Portuguesa de Esperanto.
Mas o que é afinal o Esperanto? Nada mais nada menos que uma língua artificial, criada em 1887, pelo filósofo médico polaco Lázaro Zamenhof.
O objectivo era criar uma língua universal, que pudesse ser falada por todos, simples, e tendo por base as principais raízes nas línguas europeias modernas, mas também no latim e no grego clássicos.
Parece-me óbvio que, se houve um tempo em que se depositava grande esperança nesta língua e havia pessoas bastante interessadas em aprendê-la, depressa essa esperança se desvaneceu.
O que me admira, não é o facto de hoje em dia não se aprender o Esperanto nas escolas, mas sim o facto de nem sequer falarem sobre o tema.
Eu como já atrás referi, nunca tinha ouvido falar, e imagino que muitos portugueses também não.
É o vosso caso? Porque não experimentam perguntar, a quem vos está mais próximo!?