Muitas vezes guardamos tanta coisa só para nós - opiniões, sentimentos, ideias, estados de espírito, reflexões, pequenos textos que escrevemos e ficaram arrumados numa gaveta fechada...


Eu decidi abrir essas gavetas, e o resultado é este blog!




How many times we keep things for our own – opinions, feelings, ideias, moods, reflections, some little texts we wrote and put on a closed drawer…

Now I have decided to open those drawers, and this is the result!



domingo, 20 de novembro de 2011

Saturday Night


"Saturday night, dance, I like
The way you move
Pretty baby
It's party time and not one
Minute we can lose..."


Conhecem esta música? Saturday Night, da Whigfield!
Já tem uns bons aninhos e, muito provavelmente, será difícil ouvi-la, nos dias que correm, numa discoteca.
Os tempos mudam e com ele, mudam-se estilos musicais, atitudes e comportamentos.
Sempre gostei de sair, de dançar, de ir ao cinema, de me divertir com as minhas amigas, ou com o namorado.
E lembro-me que quando tinha os meus 15 ou 16 anos, sempre que havia uma festa de aniversário, ou nas passagens de ano, era obrigatório comemorar! E comemorar com vinho branco ao jantar e espumante!
Não bebia para me embebedar, mas gostava de ficar naquele meio-termo a que usualmente apelidamos “estar quentinha”.
Pensava eu que, bebendo, me divertiria muito mais. Que o álcool transformaria aquela menina tímida e calada, numa outra, mais desinibida e extrovertida.
Só mais tarde percebi que não precisava de nada disso, porque esse meu lado extrovertido estava dentro de mim, e saía cá para fora independentemente do facto de beber.
Tenho porém constatado que, de há uns anos para cá, cada vez mais os adolescentes dependem de algo para se sentirem bem na sua pele, ou melhor, fora dela.
É certo que tabaco, álcool e drogas sempre existiram. E é, normalmente, na adolescência que se tem o primeiro contacto com eles.
Talvez como forma de quebrar laços da infância, como sintoma de emancipação, como necessidade de ser aceite num determinado grupo, pelo gosto de correr riscos, ou simplesmente para fazer aparecer aquele outro eu que se diverte muito mais quando está sob o efeito destas substâncias, a verdade é que o consumo das mesmas tem aumentado, é excessivo, e ocorre em idades cada vez menores.
Hoje, se eu for a uma discoteca, por exemplo, encontro miúdas a beber repetidamente, shots, enquanto eu me delicio com uma simples garrafa de água ou um sumo de laranja.
E pergunto-me eu? Será que elas gostam, será que lhes dá prazer? Qual será a sensação de fumar um cigarro atrás do outro? Como será que se sentem depois de passado o efeito da droga? Valerá a pena?
Os primeiros cigarros, as primeiras bebidas, as primeiras drogas, podem até ser, e acredito que sejam, experimentadas por curiosidade, e normalmente em grupo.
Mas daí à dependência vai uma curta distância, e começa a ser um grave problema, quando o motivo e o nosso principal objectivo de vida, é o consumo.
O que é curioso é que, se há uns anos, esta era uma situação que se verificava maioritariamente, no universo masculino, actualmente, talvez devido à luta por direitos iguais, encontram-se cada vez mais mulheres que, não só conseguiram com sucesso igualar-se neste campo, aos homens, como os ultrapassaram em grande escala!
Esperemos que esta febre, não apenas de sábado à noite mas regular, dê lugar a outras tendências e modas mais saudáveis e naturais!

sábado, 19 de novembro de 2011

Retalhos do meu dia

Por aqui nada de novo.
Apenas dois textos, um sobre uma certa hipocrisia natalícia, e outro sobre encontros de ocasião (à falta de melhor título)!
O sol escondeu-se, o frio regressou, e a chuva ultima os preparativos para a sua entrada em cena!
É um dia em tons cinza, embora eu ainda tente visualizar as inúmeras cores que marcaram o dia de ontem.
Tal como o almoço no prato, aquele que não fiz (como que à espera de um truque de magia)! Vamos ver o que se arranja à pressa...


...Aqui vou eu para cima, de regresso ao trabalho.
No chão, uma dança de folhas em alegre rodopio!
Levanto a gola do meu casaco, para me aconchegar, e sigo viagem. As ruas estão desertas.
Sinto o cheiro, que vem trazido pelo vento, a castanhas assadas! Do assador que, desde Setembro, se instalou no centro da vila.
E cá estou eu, de novo enclausurada neste escritório, para mais 5 horas de serviço!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Encontros de Ocasião

           

Caminhamos pela rua, absorvidos pelos mais variados pensamentos, ou simplesmente a desfrutar da paisagem quando, sem esperarmos, damos de caras com aquela "velha" amiga, ou aquele familiar que há séculos não víamos!
Por diversas vezes assisti a encontros ocasionais deste género e fiquei sempre com a mesma sensação em relação aos mesmos - que não passam disso mesmo, de encontros de ocasião!
Salvo algumas excepções, que as há, como em tudo na vida, em que os intervenientes se sentem satisfeitos com o reencontro e tentam, efectivamente, retomar a amizade e os laços perdidos, não permitindo que as circunstâncias de outrora os impeçam de manter, daí em diante, o contacto regular, o que acontece é, normalmente,  um pouco diferente.
Depois do primeiro impacto, e já refeitos da surpresa, fazemos uma grande "festa" como se, de um momento para o outro, aquela pessoa que há muito estava esquecida fosse, naquele momento, o nosso melhor amigo!
Falamos da nossa vida actual, das nossas aventuras, recordamos velhos tempos e, entre beijos e abraços, trocamos contactos, prometendo não mais deixar de dar notícias!
O que acontece é que, embora muitas vezes a intenção seja sincera e verdadeira, depois da despedida, cada um segue a sua vida, e o tempo encarrega-se de nos devolver ao baú do esquecimento, até que um próximo reencontro volte a avivar a memória.
E a história torna a repetir-se!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Emoções de Adolescentes


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“Sinto que estou a perder as minhas forças. A cada dia que passa estou a deixar-me vencer…vencer pela tristeza, tristeza por não te ter ao pé de mim…pela incerteza, incerteza por não saber definir ao certo que sentimento é este…pela insegurança, por não saber se sou correspondida da mesma maneira…
Sinto-me frustrada, desanimada, apática…nada faz sentido…quero levar a minha vida para um lado, e tudo a empurra para outro…
Neste momento, parei. Não tenho mais vontade de andar, não tenho mais forças para me mover…
Já não consigo disfarçar, preciso de estar ocupada, distraída…sozinha, a única coisa que consigo fazer é chorar…
Sinto que é uma luta perdida…Se é que se pode chamar de luta…
Quero culpar alguma coisa, quero culpar alguém…
Culpo-me a mim porque não sou forte, não sou corajosa, não arrisco, não luto…sou conformista, sou comodista, prefiro o mais fácil, o mais confortável, sou cobarde…
Culpo-te a ti, porque não me vens salvar, porque não me vens tirar deste pesadelo em que eu própria me meti…
Culpo a distância, que nos afasta, que me faz sentir saudades, que não nos permite viver o que tanto desejo….
Tento encontrar algo ou alguém a quem possa responsabilizar, mas simplesmente não existe!
Quanto muito poderei culpar o meu coração, por sentir o que não deveria sentir…
Tudo o que me dás é tudo aquilo a que me posso agarrar…
Todas as tuas palavras, todos os teus gestos, são alguns dos poucos momentos em que consigo sorrir…
Queria tanto acreditar que o sonho se iria tornar real…mas cada vez mais me convenço que não passa disso mesmo…de um sonho.
A realidade é bem diferente, mais dura…
Não há lugar para fantasias, não há lugar para sonhos que, por circunstâncias da vida, nunca vão passar disso.
E essa é a parte mais difícil…perder a esperança…encarar a realidade…
De que me serve ter a capacidade de amar, se não posso amar quem eu quero…se não consigo dar amor a quem me ama…"


Na adolescência, encaramos as primeiras paixões como se de verdadeiros amores se tratassem!
Somos protagonistas das mais belas histórias, com tudo aquilo a que temos direito - amores proíbidos, amores desencontrados, amores distantes, sempre à espera do Happy Ending, mas não sem antes passar pelo típico sofrimento do desenrolar da trama.
Ao fim de tantos anos cheguei a uma simples conclusão - somos mais fortes do que pensamos, e não morremos por amor, ou melhor, pela falta dele!
Não quer dizer que os nossos sentimentos não sejam verdadeiros (porque geralmente até o são), mas temos uma capacidade de ver tudo de forma mais simples, mais prática, e sem aquele romantismo e dramatismo de outrora.
Não significa que não tenhamos saudades daqueles que amamos, quando estão longe de nós, mas não paramos no tempo à espera do regresso.
Não quer dizer que não nos sintamos tristes muitas vezes, que não tenhamos vontade de chorar, que não nos afecte minimamente, mas temos a força necessária para reagir, para para nos recompormos e seguir em frente com a nossa vida.
Afinal, o amor não mata, mas mói!
Mas, se puder ser correspondido e vivido plenamente, pode ser muito compensador. Por muito que sejamos fortes, decididos e independentes, não há nada melhor do que termos alguém na nossa vida com quem partilhar as nossas tristezas e as nossas alegrias, as nossas derrotas e as nossas vitórias, os nossos pesadelos e os nossos sonhos, tudo o que faz de nós aquilo que somos!
É importante viver cada dia, e saber aproveitar o melhor que temos e com quem estamos - a nossa vida está em constante mudança, e a nossa história deve ser feita de pequenos finais ao longo do tempo. Quem sabe se na vida real não será ainda melhor do que o que idealizámos?!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Farta de Chuva

O dia hoje começou cinzento e chuvoso...

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Fui levar a minha filha à escola, e depois ainda tive que caminhar à chuva até ao meu trabalho. Fiquei ensopada, não só pela chuva intensa que caía, mas pelos simpáticos carros que se sentem tão satisfeitos a passar por nós e dar-nos um banho! E pensei cá para mim - será que isto ainda pode piorar?

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A resposta veio logo em seguida: Claro que pode! Nada é assim tão mau, que não possa ficar pior!

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Não acontece só aos outros...

Cada vez que lia uma notícia sobre violência doméstica, o meu pensamento era sempre o mesmo: "Como é que uma pessoa se sujeita a isto?", "Porque é que não faz nada", ou ainda "Eu nunca iria permitir uma situação destas".
Como o nosso pensamento muda, quando estamos no meio da situação, como protagonista, e não apenas do lado de fora como mero espectador!
Desengane-se quem pensa que este é um problema típico de pessoas sem estudos e de classe baixa, que afecta apenas as mulheres. Cada vez mais, percebemos que é um crime que não escolhe sexo, classe social ou formação.
E pode acontecer mesmo aqueles que um dia disseram que nunca iriam admitir que tal lhes acontecesse.
Numa situação dessas, o que fazer? Apresentar queixa, afastar-se do agressor e pôr logo ali um ponto final ao nosso papel de vítima.
Mas, se é assim tão simples, porque é que muitas vezes não agimos para evitar que se repita? A explicação é simples - gostamos mais de quem nos agride do que de nós próprios!
Quando assim é, ficamos cegos, surdos e mudos! Inventamos mil e uma desculpas para nos convencer, a nós e aos outros, que foi uma coisa que aconteceu uma vez e não voltará a acontecer.
Perdoamos quem nos agride porque foi uma questão de descontrolo, porque não havia intenção de o fazer.
Pior, chegamos ao ponto de muitas vezes nos culpabilizarmos pela agressão de que fomos vítimas, como se o outro tivesse alguma razão para cometer tal acto!
Outras vezes, não agimos por medo - medo de mais violência, medo de ver concretizadas as ameaças, medo do que nos possa acontecer.
Afinal, sabemos bem como funciona a justiça, e o que acontece aos criminosos e agressores quando são acusados pelas vítimas. Quantas vezes são detidos e saem logo em seguida? Quantas vezes se tentam vingar por terem sido denunciados? Quantas vezes o pior não acontece, sem que ninguém faça nada, apesar das várias acusações já apresentadas nos serviços competentes?
A verdade é que as vítimas não conseguem confiar em ninguém, não acreditam que as consigam proteger do que mais receiam.
E algumas vezes também, por medo de serem julgadas. Por medo do que possam vir a dizer sobre elas, por vergonha...
Quando assim é, sujeitam-se e acomodam-se sem reclamar. É o pior que podemos fazer - quem faz uma vez faz duas, e quem faz duas faz três. Os agressores acham que têm esse direito, porque afinal nós permitimos que eles pensassem assim, e não param.
Em qualquer caso de violência doméstica, não falamos apenas de agressões físicas. Há agressões psicológicas que, muitas vezes, nos marcam mais que meia dúzia de nódoas negras.
Não condeno as vítimas que não conseguem sair desse pesadelo. Por outro lado, admiro todas aquelas que têm a coragem de agir e reagir.
Acima de tudo, são um exemplo de quem soube e conseguiu dar a volta e lutar por si próprio, pela sua dignidade, pela sua saúde física e mental, pela sua vida. São um exemplo de quem venceu em vez de se deixar vencer! E nada é mais compensador do que essa sensação!

It does NOT only happen to the others ...

Each time I read a story about domestic violence, my thought was always the same: "How does a person subject to this?", "Why does that person do nothing", or "I would never allow such a situation ".
But  our thinking changes when we are in the middle of the situation, as the protagonist, and not just on the outside as a spectator!
Disabuse those who think that this is a typical problem of uneducated and lower class people, which affects only women. Increasingly, we realize that is a crime that does not choose gender, social class or training.
And it can happen even to those who once said they would never admit it to happen.
In such a situation, what to do? Complaint, to depart from the perpetrator right there and put an end to our role as victim.
But if it is so simple, why do not often act to avoid a repeat? The explanation is simple – we love those who hurt us more than we love ourselves!
When this is so, we are blind, deaf and dumb! We invent a thousand excuses to convince ourselves and the others, that was something that happened once and will never happen again.
We forgive those who hurt us because it was a matter of lack of control, because there was no intention to do so.
Worse, we got to the point that we often blame ourselves for the attack that we were victims, as if the other had some reason to commit such an act!
Sometimes you do not act for fear - fear of further violence, fear of seeing realized the threats, fear of what might happen.
After all, we know very well how the justice works, and what happens to criminals and offenders when they are accused by victims. How often are arrested and then immediately leave? How many times they try to take revenge for having been exposed? How often the worst does not happen without anyone doing anything, despite several accusations already made by the competent services?
The truth is that the victims cannot trust anyone, they don’t believe that someone is able to protect them from fear.
And also sometimes, for fear of being judged. For fear of what might be said about them, for shame ...
When this is so, they subject to and accommodate themselves without complaint. It's the worst thing we can do - who did once will do it again, and again and again. Abusers believe they have this right because, after all, we let them think so, and it doesn’t stop.
In any case of domestic violence are not only speaking of physical aggression.
There are psychological abuse that often mark in more than half a dozen bruises.
I do not condemn the victims who can not get out of this nightmare. On the other hand, I admire all those who have the courage to act and react.
Above all, they are an example of those who knew and managed to turn around and fight for themselves, for their dignity, for their physical and mental health, their life. They are an example of who won rather than succumb! And nothing is more rewarding than that feeling! 

domingo, 13 de novembro de 2011

A Propósito do Natal

                                                     Imagens Animadas: Imagens.de Natal

A noite de Natal que sempre imaginei foi aquela em que toda a família pudesse estar junta - filhos, marido, mãe, pai, irmão, cunhada e sobrinhos. Com muito amor, alegria, brincadeiras e presentes para as crianças!
Até agora, ainda não tive essa noite, e duvido muito que algum dia a venha a ter. Não é que me dê mal com a minha família, porque até nos damos todos bem, mas porque quando estão uns, não estão outros. Uns não podem, outros não querem, e quando assim é, não há nada a fazer.
Pelo menos vamo-nos vendo e falando ao longo do ano, convivendo quando o tempo e a disponibilidade nos permite. Não deixamos de manter o contacto. Fazemo-lo porque temos esse gosto e essa vontade. Porque, como disse, nos damos todos bem.
Antes assim, do que nos servirmos do Natal como desculpa para reunir todos aqueles familiares com quem raramente falamos, e de quem só nos lembramos por ocasião de festas e funerais!
Pode parecer exagerado, mas não é. A verdade é que muitas vezes esquecemos e somos esquecidos. Depois dá-nos um daqueles "clicks" - é Natal, vamos lá reunir toda a família, nem que seja só neste dia!
É um pouco como as mais diversas campanhas que se começam a despoletar com o aproximar da época natalícia!
Festas de solidariedade, angariação de fundos, apelo aos donativos para uma infinidade de causas sociais...Acho bem que elas existam e são muito bem vindas, concordo, mas fica a sensação que bondade, generosidade, união, amor e outros sentimentos tão nobres, só saem cá para fora porque é Natal. Depois volta-se a guardá-los na gaveta até ao próximo ano.
Por outro lado, as crianças parecem viver essa noite com o único objectivo e a ansiedade de abrir os presentes, na esperança de ver a sua lista de Natal satisfeita. Acho engraçado a facilidade e a rapidez com que rasgam o papel do embrulho, olham para o que de lá saiu, e põem para o lado logo em seguida, dando a vez ao próximo, e assim sucessivamente, até não haver mais presentes. Acabam-se os presentes, acaba-se a euforia - muitas vezes felizes, outras mais tristes porque não eram do seu agrado.
Que venha o próximo Natal!